Sigla recua, mas Lula insiste em fim das prévias

Pressionada por pré-candidatos às eleições de 2012, a cúpula do PT deve desidratar as mudanças mais radicais previstas no anteprojeto de reforma do estatuto do partido. O principal recuo vai ocorrer na proposta que prega o endurecimento dos critérios para a realização de prévias. Diante do impasse, a tendência do 4.º Congresso do PT, que começa hoje, é diminuir as exigências planejadas para restringir as prévias, tradicional mecanismo de escolha dos candidatos, com voto dos filiados.

AE, Agência Estado

02 de setembro de 2011 | 10h21

Em reunião marcada para hoje, as três correntes que detêm a hegemonia no PT (Construindo um Novo Brasil, Partido de Lutas e de Massas e Novos Rumos) tentarão se unificar e encontrar um meio termo para evitar que disputas na seara petista deixem sequelas na campanha eleitoral.

Agora, a ideia é que, para se habilitar à prévia, o pré-candidato tenha o apoio de 20% do total de votantes no último Processo de Eleição Direta (PED). Instituído em 2001, o PED é o instrumento pelo qual os filiados escolhem as direções partidárias em âmbito nacional, estadual e municipal.

Seja qual for a decisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva continuará trabalhando para barrar as prévias nas principais capitais. O argumento é que a luta "do PT contra o PT" é incompreensível para o eleitor, deixa um rastro de mágoas na campanha e pode surtir efeito contrário, beneficiando o adversário.

Em São Paulo, Lula quer uma "cara nova" para enfrentar o PSDB do governador Geraldo Alckmin, o PSD do prefeito Gilberto Kassab e o PMDB do vice-presidente Michel Temer. Confiante em seu plano para superar os 30% de votos do PT na capital paulista, ele já prepara a estrutura da campanha do ministro da Educação, Fernando Haddad, à Prefeitura, e espera a desistência da senadora e ex-prefeita Marta Suplicy (SP), que também almeja a candidatura.

Há ainda as pré-candidaturas dos deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini, que eram do grupo de Marta e se descolaram, e do senador Eduardo Suplicy. Se não houver acordo até novembro ou as regras para as prévias não ficarem mais rígidas, qualquer um deles pode querer bater chapa com Haddad. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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