Sigla ataca ''''agenda neoliberal''''

Ponto central foi derrubada da CPMF, diz documento

Rosa Costa e Felipe Recondo, Brasília, O Estadao de S.Paulo

11 de fevereiro de 2008 | 00h00

O PT decidiu, em reunião do Diretório Nacional no sábado, iniciar uma "contra-ofensiva" ao que chamou de uma tentativa da oposição, em especial do PSDB, de "retomar uma agenda neoliberal" no País. Essa estratégia oposicionista, de acordo com petistas, teve como ponto central a derrubada da emenda constitucional que prorrogava a CPMF, o que gerou perda de R$ 40 bilhões e obrigará o governo a cortar despesas. Cortes que não devem prejudicar programas sociais e obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), diz o PT."Devemos assegurar que nenhum corte ocorra nas políticas sociais, nos investimentos do PAC e na necessária adequação do Estado a novos, mais qualificados e universalizados serviços públicos", afirma o partido.Em documento aprovado pelo Diretório Nacional, o PT diz que o objetivo da oposição nessa suposta tentativa de retomar a "agenda neoliberal" é "reduzir a presença do Estado e inviabilizar os investimentos do governo Lula em políticas sociais e de infra-estrutura, bem como sua agenda de mudanças para o País".ALIANÇASNesses planos de contra-ofensiva, o PT vetou qualquer possível aliança com o PSDB nas eleições municipais deste ano. De acordo com a resolução, PSB, PC do B e PDT devem ser tratados como aliados "preferenciais e estratégicos" nos Estados e o PSDB deve ser visto como o "partido que organiza e radicaliza a oposição sem quartel" ao governo. Nova reunião do diretório, que deve acontecer em março, vai tratar mais especificamente da política de alianças do partido para as eleições municipais de outubro."Não temos de fazer aliança com o PSDB e o DEM, que são oposição à espinha dorsal do nosso projeto maior, do nosso governo", justificou ontem o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS). A decisão do PT terá repercussões em Minas Gerais, onde o partido mantém boa relação com os tucanos. "A minha opinião é categórica. Uma circunstância local, no município, não pode mudar de cabeça para baixo a estrutura política no País", afirmou Fontana. Os petistas consideram que o PSDB foi intransigente e apontam o partido como o principal fator para a derrota da prorrogação da CPMF.

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