Sífilis congênita aumenta 709% em SP

Depois da aids, outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) parecem ter deixado de ser uma preocupação. O risco que isso representa é grande, basta ver o que vem ocorrendo com a sífilis congênita - transmitida da mãe para o bebê na gravidez.O número de casos da doença aumentou 709%, entre 1991 e 1997, só no Estado de São Paulo. Falhas no pré-natal, mulheres sem parceiro fixo, relação sexual sem preservativo e contaminação por outras DSTs são os principais fatores que contribuem para o desenvolvimento da sífilis.Bebês que nascem com sífilis têm risco de desenvolver alterações na pele, nos ossos, nos órgãos e no sistema nervoso. Os problemas podem se manifestar até mesmo na adolescência.Quando estava no segundo mês de gravidez, a diarista Diná Rosa da Cruz Costa, de 34 anos, descobriu que tinha sífilis. O diagnóstico foi feito durante o pré-natal. O marido passou por exames que também detectaram a doença.A sífilis, doença crônica causada pela bactéria Treponema pallidum, é transmitida pelo contato sexual. Marido e mulher foram tratados. O filho Isaac, hoje com 7 anos, nasceu saudável. Assim que ficou grávida, Lindinalva Amara da Silva, de 26 anos, fez um pré-natal. Ela já tinha tido sífilis e recebeu tratamento na época. Por causa disso, a filha Laura, de 2 anos, não foi afetada.Outros bebês, porém, têm histórias diferentes. Segundo dado da Secretaria da Saúde, a sífilis congênita atingiu 16 em cada mil recém-nascidos no ano passado. Em 1992, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos estipulou como meta que a sífilis congênita atingisse no máximo um bebê para cada mil nascidos vivos."Para reverter o quadro, a saída é o pré-natal precoce", afirma o médico Luiz Jorge Fagundes, diretor clínico do Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza.Dados epidemiológicos mostram que a sífilis é mais comum em pessoas jovens: homens de 25 a 29 anos e mulheres entre 16 e 19. "São faixas etárias marcadas por vida sexual ativa, sem proteção", completa.O tratamento da sífilis adquirida por contato sexual é feito com penicilina e pode durar de duas a quatro semanas.

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