Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Siemens Brasil está disposta a ressarcir cofres públicos, diz presidente

Em depoimento à CPI dos Transportes Coletivos na Câmara de São Paulo, Paulo Stark admitiu a possibilidade caso seja comprovada a formação de cartel

Fabio Leite , O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2013 | 16h17

O presidente da Siemens Brasil, Paulo Ricardo Stark, disse nesta quinta-feira, 10, em depoimento na CPI dos Transportes Coletivos da Câmara Municipal de São Paulo, que a empresa está disposta a ressarcir os cofres públicos caso fique comprovada a existência de cartel em licitações do Metrô e da Companhia Paulista de Transportes Metropolitanas (CPTM), do qual ela foi a delatora.

O executivo afirmou contudo, que a Siemens "não é ré confessa" por ter denunciado o esquema ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e que as investigações internas não identificaram pagamento de propina a autoridades e políticos paulistas, embora as investigações apontem a existência de planilhas com nomes e valores pagos pela empresa.

"A Siemens está disposta a discutir acordo para ressarcimento de eventuais danos causados aos cofres públicos no momento em que os indícios apresentados fiquem comprovados pelas autoridades competentes", afirmou Stark, após ser exaustivamente pressionado por vereadores a prometer um acordo com a Prefeitura e o governo estadual.

Os parlamentares alegaram que na Alemanha e nos Estados Unidos, onde a Siemens também é investigada por formação de cartel, foram pagos ao todo mais de US$ 1,6 milhão de reparo aos governos locais antes mesmo do término da apuração.

"Como esse ressarcimento já foi feito na Alemanha por que não fazem com os latinos aqui?", indagou o vereador Milton Leite (DEM). "Vocês saquearam os cofres públicos e vão ter de devolver o dinheiro", completou

Stark depôs como testemunha por mais de quatro horas. Deixou de responder a inúmeras perguntas alegando não ter conhecimento de contratos antigos, já que assumiu a presidência da Siemens em outubro de 2011, ou obediência ao pacto de sigilo no acordo de leniência feito com o Cade, em maio, já que a Siemens é a delatora do esquema.

"A Siemens não é ré confessa. A Siemens apurou indícios de possível formação de cartel que deverão ser apurados pelas autoridades competentes. Uma vez que elas apurarem vai haver a caracterização se houve ou não ilícito real. Até lá qualquer coisa é especulação", afirmou Stark, que substituiu Adilson Primo, demitido após ter seu nome envolvido nas supostas fraudes. Ele nega.

Propinas. Questionado sobre pagamento de propina a autoridades e políticos, Stark, que entre 2004 e 2010 trabalhou na Alemanha, onde a primeira denúncia interna de corrupção foi feita em 2008, disse que nenhum indício foi constatado pelas investigações internas da Siemes.

"Nós escrutinamos todos os contratos não só deste período (1998 a 2008), mas do período anterior e posterior e não identificamos nenhuma evidência concreta, ou evidência forte de pagamento de propina em nenhum dos contratos da empresa", afirmou.

Os vereadores se mostraram insatisfeitos com as respostas de Stark na CPI e já aprovaram uma nova convocação do executivo à comissão para após o recebimento da documentação solicitada pelos parlamentares ao Cade.

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