‘Showmícios’ reuniram mais público este ano

Eventos foram feitos sem protagonismo de partidos e sindicatos no Rio e em São Paulo

Gilberto Amendola, Impresso

06 Agosto 2017 | 05h00

Se teve um grupo que ainda conseguiu levar recentemente gente para as ruas foi aquele formado por artistas, que pediram de “fora, Temer” a “diretas já”.

Em eventos no Rio e em São Paulo, sem o protagonismo de partidos políticos e sindicatos, eles levaram milhares de pessoas às ruas. “Acho que os artistas têm um papel importante, como divulgadores e propagadores de ideias”, disse a produtora Paula Lavigne, que tem promovido constantes reuniões em sua casa para criar uma unidade entre a classe artística.

“Agora, a ideia é se reorganizar. O Temer saiu vitorioso nesse momento, mas ainda podemos fazer mais. Não sei se é na rua, hoje você tem as redes sociais e outras formas de pressão”, afirmou Paula.

O esvaziamento das manifestações contra Temer também é reconhecido pelas principais lideranças de oposição. “O nível de mobilização ficou aquém. Aconteceram muitas manifestações e o resultado não veio, mas isso vai criar um barril de pólvora que em algum momento vai estourar”, disse o coordenador do MTST, Guilherme Boulos. “A rua é algo que o movimento não pode abandonar. É preciso recuperar essa chama”, afirmou Raimundo Bonfim, da Frente Brasil Popular.

Os movimentos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff também estiveram ausentes das ruas nos últimos meses – e só marcaram atos para depois da votação da denúncia contra Michel Temer.

O Vem Pra Rua, por exemplo, marcou uma marcha para o dia 27 deste mês, com uma pauta de renovação na política e contra “todos os corruptos”. “O tamanho da manifestação é o que menos importa agora. O importante é marcar posição”, disse o coordenador do movimento, Rogério Chequer. O Nas Ruas, de Carla Zambelli, marcou o seu ato para o dia 20. O mote será um protesto contra as urnas eletrônicas. “Vai ser pequeno, umas 500 pessoas”, disse.

Já o movimento #QueroUmBrasilÉtico marcou um ato para hoje, às 14 horas, na Avenida Paulista. A expectativa não é de grande adesão. “As pessoas não estão enxergando lideranças”, disse o jurista Luiz Flávio Gomes. O MBL foi procurado pela reportagem do Estado, mas não se manifestou.

‘Campo autoritário’. A discussão sobre o esvaziamento das manifestações também esbarra no ceticismo do historiador Carlos Fico, da UFRJ. “Me incomoda essa ideia de que a sociedade ‘deveria ir às ruas’. Deveria por quê? A política é um campo autoritário e excludente. Não há nem nunca houve uma mudança real vinda das ruas. Tem sido, como sempre foi, um acerto por cima”, disse. 

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