Show contra CPMF, que previa 1 milhão, atrai somente 6 mil

Ato organizado pela Fiesp, Associação Comercial e OAB protestava contra prorrogação do 'imposto do cheque'

ANNE WARTH, Agencia Estado

16 de outubro de 2007 | 20h42

  Cerca de seis mil pessoas, segundo estimativa do Comando da Polícia Militar, assistiam por volta das 20 horas o "Tributo contra o Tributo", show contra a prorrogação da vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) organizado por jovens líderes de entidades como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) e a Ordem dos Advogados do Brasil - Secção de São Paulo (OAB-SP).   O número de espectadores ficou bem abaixo das estimativas para o evento, que era de 1 milhão de pessoas. Já passaram pelo palco as bandas "A", Nando Cordel, Falamansa, Fresno, NXZero e o cantor Netinho.   Veja também:    Entenda o 'imposto do imposto' e veja gráfico   Cumprir prazos adiaria votação da CPMF para 2008, diz líder Governo sinaliza acordo para reduzir CPMF a partir de 2009 Segundo os organizadores do evento, a CPMF é um tributo que se tornou desnecessário devido ao aumento de arrecadação do governo federal - R$ 60 bilhões, em 2007, e cerca de R$ 70 bilhões em 2008. O tributo, que deve arrecadar R$ 38 bilhões este ano, pode não ser cobrado a partir de 31 de dezembro se não for aprovada a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que tramita no Senado e permitiria sua prorrogação até 2011.De acordo com o presidente da Comissão de Direito Tributário da OAB-SP, Walter Cardoso Henrique, as ameaças do governo de reduzir recursos destinados aos programas sociais, caso o tributo não seja prorrogado, são falsas. "Retórica por retórica, conteúdo por conteúdo. A Receita tem índices e ganhos de arrecadação que comprovam seu nível de excelência", disse.Para André Skaf, filho do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e um dos organizadores do evento, as insinuações de que as entidades apóiam o fim da CPMF por se tratar do único tributo que elas não podem sonegar são mentirosas. "Mentira. Se você tem de buscar uma forma de acabar com a sonegação, não precisa fazer com que a população contribua com R$ 40 bilhões por ano", comentou. "Já temos ferramentas jurídicas e leis para isso", defendeu.Lucas, um dos integrantes da banda Fresno, disse apoiar a causa mas demonstrou não ter conhecimento, por exemplo, de quanto pagava de CPMF por ano e nem mesmo sobre a alíquota do tributo, hoje em 0,38%. "Eu não sei quanto paguei, mas se eu soubesse estaria ainda mais bravo", declarou. Questionado sobre o porcentual da alíquota da CPMF, Lucas titubeou e respondeu, equivocado: "7%".Ato políticoO cantor Luciano, da dupla sertaneja Zezé di Camargo & Luciano, afirmou que "não havia como negar que o show era político", ainda que os organizadores assim o fizessem. "Não há nenhum partido por trás desse movimento, mas quem disser que não é uma atitude política ou que não é um movimento contra o governo está sendo hipócrita", declarou. Ele criticou o fato de o tributo incidir em cascata, mas reconheceu a importância fiscalizadora da CPMF.Questionado sobre se não estaria sendo utilizado para atrair público para uma causa desconhecida pela maior parte da população, Luciano se defendeu e disse que é um erro pensar que a maioria dos brasileiros não conhece a CPMF. "Quem paga mais em CPMF é o pobre. Pessoas como a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que fazem discurso de que é só elite que paga o tributo, desconhecem a existência de mais de 114 milhões de contas correntes no País", ressaltou.Apesar das críticas, ele admitiu que não é possível acabar totalmente com a CPMF, embora não tenha sugerido alguma outra alíquota no lugar dos atuais 0,38%. "Se a receita fosse totalmente direcionada para a saúde, seria um tributo bem-vindo, mas não na alíquota em que está hoje", disse.

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