André Dusek
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Sexto inquérito contra Collor na Lava Jato apura propina em obras de prédio da BR

A investigação sobre o senador e ex-presidente perdeu o sigilo no Supremo Tribunal Federal após o fim do segredo sobre a delação premiada do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró

Gustavo Aguiar, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2016 | 19h32

BRASÍLIA - A suspeita de que o senador e ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PTC-AL) recebeu propina desviada das obras de um prédio da BR Distribuidora em Salvador, na Bahia, motivou a abertura do sexto inquérito contra o parlamentar na Operação Lava Jato. A investigação perdeu o sigilo no Supremo Tribunal Federal após o fim do segredo sobre a delação premiada do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró.

De acordo com o delator, Pedro Paulo de Leoni Ramos, o ex-ministro de Collor, negociou em nome do senador o pagamento de propina com a OAS e a PRS, as duas empreiteiras responsáveis pela obra. Cerveró, no entanto, não soube precisar o valor acordado, mas disse que foi solicitado por Pedro Paulo a ser uma espécie de intermediário na negociação dos pagamentos indevidos.

A OAS, de Léo Pinheiro, foi responsável por 60% da obra; a PRS, do empresário Paulo Roberto de Oliveira, por 40%. A última empreiteira entrou no consórcio depois que Oliveira procurou Cerveró interessado em aproveitar a valorização do escritório da BR na Bahia. Ele propôs uma permuta imobiliária para ficar com o prédio antigo da empresa e construir um novo. O acordo garantiu propina equivalente a R$ 500 mil ao delator e outros R$ 500 mil a outro diretor da estatal, Vilson Reichenbach.

Cerveró disse ao Ministério Público Federal que a BR era um “feudo” de Collor desde 2009, quando a presidência da empresa e duas diretorias foram “entregues” ao senador pelo ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. A presidente afastada Dilma Rousseff também teria garantido ao parlamentar que todas as diretorias da subsidiária “estavam à disposição de Collor”, segundo o delator.

Collor já foi denunciado ao Supremo por suposta participação criminosa relacionada à BR Distribuidora. Ele é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. As investigações indicam que o senador recebeu R$ 26 milhões em propina entre 2010 e 2014 por um contrato de troca de bandeira de postos de combustível assinado pela subsidiária da Petrobrás e por outros contratos da estatal com empreiteiras e que são alvo da Lava Jato.

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