Sexo e drogas viram disciplina em escola

Preocupado com o consumo de drogas e com a gravidez precoce dos adolescentes, o colégio Brasil-Canadá, na zona oeste de São Paulo, está criando a disciplina "Educação e Saúde", composta por módulos como drogas, sexualidade, violência, imagem, auto-imagem e propostas preventivas."A disciplina se caracteriza como um laboratório para que possamos colher experiências sobre o que, na visão do jovem, pode ser feito para a prevenção", diz Maria Ignez Saito, médica chefe da Unidade de Adolescentes do Instituto da Criança da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, contratada pelo colégio para orientar os professores e alunos na matéria. A médica conta que procura saber dos alunos como eles gostariam de abordar os temas, para que não seja um processo imposto pela escola. Segundo ela, nada é explorado de forma religiosa ou moral. O enfoque é a saúde. "Nossa intenção é construir as propostas preventivas na escola a partir das idéias dos alunos, unindo-as ao nosso conhecimento médico", afirma Maria Ignez.O aluno Paulo Vanucci, de 18 anos, do 3º ano do ensino médio do Brasil-Canadá, lembra que já aos 11 anos queria conversar sobre sexo e descobrir tudo sobre o assunto. "Pegávamos revistas sobre mulheres e sexo e alguns da turma passaram a ter assinatura dessas revistas quando completavam 12 ou 13 anos?. Segundo ele, "esses amigos que usufruíam maior liberdade, na maioria, ou eram filhos de estrangeiros, ou muito ricos, ou os pais trabalhavam muito e não tinham muito tempo para ficar em cima?.Segundo ele, muitos de seus amigos, com 13 anos, já freqüentavam casas de ?profissionais do sexo?. No entanto diz Paulo, os amigos que ?começaram mais cedo? a ter liberdade continuam iguais até hoje. ?Estão aí, não buscam se definir, a ter metas na vida e saber o que é melhor para você, a agir com responsabilidade sobre seus atos?, disse.A colega dele, M.T., de 17 anos, mãe de um bebê de 2 meses, diz que encontrou no colégio a turma da qual se identificava, ou seja a das meninas que queriam ?saber tudo sobre sexo?. Segundo ela, as meninas do bairro nunca falavam sobre o assunto, já a turma do colégio sempre tinha novidades para contar. ?O colégio promove muitas palestras com especialistas sobre os temas drogas e sexo, o que é muito legal. Porque é através desse apoio que a gente vai se informando", afirma.Apesar do apoio do colégio, ela diz que engravidou por acidente. ?A camisinha estourou. Contei com o total apoio da família, que hoje cuida do bebê nas minhas horas de estudo?, relata a estudante.

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