Celso Júnior/Estadão
Celso Júnior/Estadão

Severino Cavalcanti morre aos 89 anos no Recife

Representante do baixo clero, ele chegou à presidência da Câmara dos Deputados em 2005, mas renunciou ao mandato para escapar da cassação

Pedro Jordão, especial para O Estadão, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2020 | 11h18

RECIFE - Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP) morreu nesta quarta-feira, 15, aos 89 anos, em casa, no Recife. Conhecido como Zito, Severino Cavalcanti foi deputado federal por três mandatos, deputado estadual por sete e prefeito do município de João Alfredo, sua cidade natal, no agreste de Pernambuco, por outros dois períodos. Segundo o presidente do PP em Pernambuco, o deputado federal Eduardo Da Fonte, ele morreu enquanto dormia. "Foi uma causa natural."

“A morte do ex-deputado Severino Cavalcanti deixa uma lacuna na política de Pernambuco. Detentor de sete mandatos na Assembleia Legislativa, três na Câmara Federal, inclusive com passagem pela presidência, e com duas gestões na prefeitura da sua cidade, João Alfredo, Severino teve uma trajetória de muito trabalho. Neste momento de profundo pesar, quero me solidarizar com sua esposa, dona Amélia, seus filhos Zé Maurício, Ana e Catharina, demais familiares e amigos”, escreveu o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), no Facebook.

O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Eriberto Medeiros (PP), também emitiu uma nota sobre a perda de “um dos políticos mais expressivos” do Estado. “Deixa uma lacuna, principalmente para nós que fazemos o Progressistas e temos sua trajetória como referência (...) Severino foi chefe de uma família querida em nosso Estado. Como homem muito simples e humilde, teve uma vida dedicada à política. Vai deixar saudades naqueles que o conheciam de perto. Que Deus conforte seus familiares e amigos."

O corpo do ex-deputado vai ser enterrado em João Alfredo. 

Presidência da Câmara

Representante do baixo clero, Severino Cavalcanti chegou à presidência da Câmara dos Deputados em 2005, alijando o PT, o partido do então governo, do comando da Casa. Renunciou ao mandato em setembro do mesmo ano, apenas sete meses depois, para escapar da cassação.

No discurso de renúncia, citou Euclides da Cunha e culpou a elite parlamentar por sua derrocada.  "A elitezinha, essa que não quer jamais largar o osso, insuflou contra mim seus cães de guerra", afirmou.

Um empresário o acusou de ter cobrado propina para renovar o contrato de concessão de restaurantes da Câmara e apresentou um cheque de R$ 7,5 mil, descontado por uma secretária de Severino.

Em 2008, foi eleito prefeito de João Alfredo, sua cidade natal que fica a 120 quilômetros de Recife. Em 2012, Severino Cavalcanti renunciou à candidatura à reeleição do município. Ele teve sua candidatura impugnada pelo juiz da cidade, Hailton Gonçalves da Silva, com base na lei do Ficha Limpa. Na renúncia, entregue no cartório eleitoral, o então prefeito alegou "motivo pessoal".

 

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