Setor elétrico virou filão da Holdenn

Incursões na área, historicamente dominada por Sarney, são recentes

Rodrigo Rangel, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

A empreiteira em nome da qual estão os dois apartamentos usados pela família Sarney em São Paulo tem seus principais negócios no setor elétrico, área historicamente dominada por apadrinhados do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Embora pequena e desconhecida, a Aracati, agora rebatizada de Holdenn Construções, Assessoria e Consultoria Ltda., já coleciona bons negócios no ramo - e também ligações suspeitas com o círculo de empresas que caíram na malha da Polícia Federal na investigação sobre as empresas do clã Sarney.Há dois anos, a Holdenn venceu leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a construção de duas usinas termoelétricas no Tocantins. A empresa, de propriedade de Rogério Frota de Araújo, amigo dos filhos de Sarney, tocou toda a parte burocrática para a aprovação e instalação das usinas. Chegou até a ganhar incentivo fiscal do Ministério de Minas e Energia, em despacho assinado pelo ministro Edison Lobão (PMDB), principal indicado de Sarney na área de energia.Quando os papéis estavam todos prontos, a empresa "vendeu" o negócio.O leilão foi realizado em junho de 2007. Vencedora, a Holdenn se encarregou de construir as usinas Tocantinópolis e Nova Olinda, nos municípios homônimos, localizados na região norte do Tocantins. Um ano e dois meses depois, o projeto de uma das termoelétricas já estava enquadrado no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi). A portaria foi assinada por Lobão em agosto de 2008.Idealizado para incentivar obras em regiões isoladas do País, o Reidi isenta os projetos do pagamento de impostos como PIS/Pasep e Cofins.Com a aprovação do incentivo, a Holdenn viu valorizar o projeto que tinha em mãos. Tanto que, menos de um mês depois, o controle das usinas já estava transferido. Primeiro, a Holdenn passou as termoelétricas para o nome da Geranorte S.A., que acabara de ser criada no interior maranhense e, logo em seguida, vendeu a nova empresa. Quem comprou foi um grupo do qual faz parte a Equatorial Energia S.A., controladora da Cemar, companhia de energia do Maranhão.Trata-se de uma modalidade de negócio recorrente no setor de energia. Empresas desconhecidas vencem leilões para construção de novas usinas e, graças a bons contatos no governo, fazem tramitar toda a parte burocrática. Depois, vendem os projetos a peso de ouro.Consultores que falaram com o Estado dizem que só um projeto de termoelétrica de médio porte, caso das usinas da Holdenn, pode valer no mercado mais de R$ 15 milhões se estiver com a tramitação aprovada.As incursões da Holdenn no mercado de energia são recentes. Em sua história, a empresa já atuou em várias frentes de negócio. Até o ano retrasado, sua sede era em Sorocaba (SP). Lá, atuava como construtora. Ainda sob o nome Aracati, chegou a erguer prédios residenciais na cidade paulista e em Imperatriz, segundo maior município do Maranhão. Também fez obras públicas, como redes de esgoto, em pequenas cidades maranhenses.Do ano passado para cá, a Holdenn montou escritório em Brasília, num centro comercial do Lago Sul. Rogério Frota, o dono, é figura pouco conhecida até nos círculos mais próximos à família Sarney. Os que o conhecem o têm como empresário bem-sucedido. Cearense de nascimento, há anos se radicou em Imperatriz. No Maranhão, se tornou grande amigo do deputado Zequinha Sarney (PV-SP) e de seu irmão, o empresário Fernando. A amizade lhe abriu portas.

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