Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Sete deputados que votaram a favor de Dilma no impeachment serão contra denúncia

Procurados pelo Estado, 110 deputados já disseram ser contra acusação; para José Rocha (PR-BA), vice-líder dos dois governos na Câmara, 'não se pode trocar de presidente toda hora'

Elisa Clavery, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2017 | 13h48

Apenas sete deputados que votaram contra o impeachment de Dilma Rousseff (PT), no ano passado, declararam ao Estado que vão repetir a posição sobre o não afastamento de um presidente na votação desta quarta-feira, 2, a respeito da denúncia contra Michel Temer (PMDB). São eles: Junior Marreca (PEN-MA), José Rocha (PR-BA), Elcione Barbalho (PMDB-PA), Domingos Neto (PSD-CE), Adalberto Cavalcanti (PTB-PE), Paes Landim (PTB-PI) e Paulo Magalhães (PSD-BA). 

Até o momento, 110 deputados declararam ao Estado que votarão contrários à admissibilidade da acusação, isto é, a favor do presidente. Votarão a favor da denúncia 190 parlamentares e 213 não declararam voto - entre eles, o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), que não vota; e os deputados Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), que se absteve, e Giovani Cherini (PR-RS), que disse que se ausentará da votação.  

Vice-líder de governo na gestão Dilma Rousseff (PT) à época do impeachment e, agora, ocupando o mesmo cargo no governo do presidente Michel Temer (PMDB), Rocha disse ao Estado que "não se pode trocar de presidente toda hora". "Nós vamos ser responsáveis pelo desajuste da economia, que está dando sinais de recuperação", disse, justificando que as eleições presidenciais já são no próximo ano e não caberia, no momento, a retirada de um presidente. 

"Eu era vice-líder (de governo) da presidente Dilma e não poderia votar diferente. Agora, sou vice-líder de Temer e meu partido me orienta que eu vote a favor do relatório da CCJ", alegou. 

O parlamentar, que disse ter sido orientado por sua sigla nos dois posicionamentos, afirma porém que a decisão não é unicamente partidária. Rocha diz que não acreditava que Dilma havia cometido crime de responsabilidade e, repetindo o termo da defesa do presidente, disse que a denúncia contra Temer é "inepta". 

Leia a entrevista na íntegra com o deputado:  Por que votou para a continuidade dos dois presidentes?

Meu partido orientou para que eu votasse contra o impeachment. Eu era vice-líder (de governo) da presidente Dilma e não poderia votar diferente. Agora, sou vice-líder de Temer e meu partido me orienta que eu vote a favor do relatório da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Mas não é só uma decisão partidária. Olhando para o País, acho que não podemos trocar de presidente toda hora. Nós vamos ser responsáveis pelo desajuste da economia, que está dando sinais de recuperação. Meu voto é um comprometimento com o Brasil. 

O sr., então, achava que não houve crime de responsabilidade de Dilma e acha que o presidente não cometeu crime de corrupção? 

São situações diferentes. Agora estou votando porque acho que o presidente não cometeu nenhum crime. A dela foi uma posição política e eu fui a favor de manter a continuidade (da Presidência). Mas eu achava que não tinha (crime de responsabilidade)

O fato de faltar pouco mais de um ano para as eleições influencia na sua decisão?

Influencia. Se nos afastarmos o presidente hoje, ele fica 180 dias fora. Vai para fevereiro. Se ele for condenado, é afastado em definitivo, mas pode ter recurso. Aí já começam as campanhas (presidenciais)

O sr. continuará com esse posicionamento em caso de outras denúncias? 

Tem que analisar cada denúncia, mas acho que essa é inepta.  

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