Sessões especiais paralisam atividades do Senado

O Senado voltou a paralisar suas atividades no plenário hoje em função da realização de mais uma sessão especial. A farra de homenagens dos mais variados tipos de atividades, pessoas ou entidades virou praxe. Os motivos são diversos e, na maioria das vezes, irrelevantes para a população, como as comemorações do aniversário do Sistema Único de Saúde (SUS) e da campanha da legalidade e a passagem dos dias do aviador, comerciários, intensivistas, engenheiros, economistas e engenheiros agrônomos, entre outros.

ROSA COSTA, Agência Estado

18 de agosto de 2011 | 17h48

O ato, não raro, vira um constrangimento até mesmo para o homenageado pela ausência de senadores no plenário. Até dezembro, estão previstas 38 homenagens. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) afirma que a iniciativa "se banalizou" e o expediente da Casa, que deveria servir para debater os problemas dos Estados, tem sido ocupado por sessões solenes.

"Há um certo mal-estar (entre senadores) com o fato de haver uma certa vulgarização dessas sessões solenes", protestou Aloysio Nunes no plenário, na última quarta-feira. "Temos tido sessões solenes todas as semanas. Isso é ruim para o Senado, desmerece o Senado, desmerece a atividade política dos senadores ocuparmos nosso tempo, o horário nobre do Senado com sessões solenes, por mais meritórios que seja os homenageados", protestou no plenário o senador.

Houve nesta semana três "homenagens" no plenário: ao dia do corretor de imóveis, ao centenário de emancipação de Juazeiro do Norte e aos 42 anos da Embraer. E amanhã, sexta-feira, a dose se repetirá com a homenagem ao dia do maçom. "O horário do expediente não é um mero horário para se despachar papéis ou para falar banalidades", lembra o senador. "É o momento que os senadores têm para discutir as questões políticas, as questões da própria Casa", reclamou.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), tentou restringir as "louvações" - como são entendidas essas homenagens - para o período da manhã. Mas sua determinação passou em branco e as sessões especiais invadem todos os dias da semana. O protesto de Aloysio Nunes foi provocado pela decisão do senador Eduardo Suplicy de homenagear a Escola de Belas Artes de São Paulo numa quinta-feira. "A escola tem todos os méritos para ser homenageada, mas eu tenho uma objeção por ter ouvido de outros colegas sobre o mal-estar (gerado) por uma certa vulgarização dessas sessões solenes", alegou.

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