Sessão de vetos desta terça será termômetro para Planalto

Avaliação da equipe que cuida articulação política do governo é que a relação com os partidos aliados melhorou, mas ainda não está consolidada

Isadora Peron e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

16 Novembro 2015 | 21h58

BRASÍLIA - A sessão do Congresso para apreciar os vetos da presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira, 17, vai servir como um termômetro para o Palácio do Planalto medir a fidelidade da base aliada. A avaliação da equipe que cuida articulação política do governo é que a relação com os partidos aliados melhorou, mas ainda não está consolidada. 

 

A luz amarela acendeu após a votação do projeto sobre a repatriação de recursos na Câmara na semana passada. Assessores do ministro da Secretaria do Governo, Ricardo Berzoini, têm andado com uma tabela com o índice de votação de cada legenda.

 

O PSD, por exemplo, do ministro Gilbero Kassab (Cidades), registrou mais votos contrários (14) do que pela aprovação (13) do projeto. No PDT, também houve divisão: 7 deputados votaram sim e 5 não. No PP, a história se repetiu:18 deputados votaram a favor e 14 contra. 

 

Nesta segunda, o vice-presidente Michel Temer orientou os líderes e ministros a intensificarem as conversas com deputados e senadores para garantir o quórum na sessão e manter os vetos às chamadas pautas bombas, que podem causar impactos bilionários aos cofres públicos. O principal veto é ao ao reajuste dos servidores do Judiciário, que pode gerar uma despesa de R$ 36,2 bilhões até 2019. Além desse, há o veto ao texto que atrela o reajuste do salário mínimo aos benefícios do INSS, despesa extra de R$ 11 bilhões nos próximos quatro anos.

 

Hoje, após a reunião com Temer, o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), disse que a manutenção dos vetos é prioridade do Planalto e que é preciso negociar para que o tema seja superado. "Acertamos que de hoje até amanhã é muito diálogo para a sessão do Congresso. Manter os vetos é fundamental para estabilizar a relação política e dar uma sinalização para o País", disse.

 

Derrotas. No início de outubro, no primeiro teste de Dilma após a reforma ministerial, o Planalto acabou derrotado duas vezes por sua base da Câmara e não conseguiu que garantir quórum para a apreciação dos vetos.

 

Na primeira tentativa, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou segurar a sessão por quase duas horas, mas, embora os senadores tenham dado quórum para iniciar a votação, a falta de registro de presença de deputados fez com que a sessão caísse. Remarcada para o dia seguinte, os deputados repetiram a estratégia e, mais uma vez, esvaziaram a sessão do Congresso.

 

Agora Renan tem defendido um "esforço concentrado" a partir desta semana para votar os vetos presidenciais e as matérias orçamentárias que precisam ser apreciadas até o final do ano. A intenção do presidente do Senado é, se não for possível apreciar nesta terça os 13 vetos e 11 projetos que constam da pauta do Congresso, tentar convocar ainda este mês sessões extraordinárias para votar logo essas matérias.

 

Já o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que manobrou para esvaziar as sessões passadas, afirmou nesta segunda que torce para que a questão dos vetos seja resolvida na sessão de amanhã e que, no que depender dele, vai ajudar para que isso aconteça.

Mais conteúdo sobre:
Governo termômetro

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.