Leonardo Soares/AE
Leonardo Soares/AE

Sessão da Câmara Municipal é encerrada após polêmica sobre homenagem a Marisa Letícia

Projeto de Lei de autoria do vereador Reis (PT) propõe batizar local em Santo Amaro com o nome da esposa falecida de Lula

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2017 | 19h54

Seria votado nesta quinta-feira, 9 de novembro, na Câmara Municipal de São Paulo, o projeto de lei que pretendia homenagear a ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em fevereiro, batizando com o nome dela o prolongamento da Avenida Chucri Zaidan até a Rua Laguna, na Chácara Santo Antônio, em Santo Amaro, na Zona Sul. 

A sessão estava sendo presidida interinamente pelo vereador Eduardo Tuma (PSDB), que decidiu interromper a sessão para “evitar polêmica e permitir que os projetos continuassem em discussão”. Tuma não nega também que interrompeu a sessão para não dar “palanque para o vereador do PT” e para atender ao pedido de dezenas de eleitores que o abordaram nas ruas para pedir “que não permitisse a homenagem a mulher do Lula”.

A ideia era que fosse votado cerca de 97 projetos de vereadores e, entre eles, o de autoria do vereador Reis (PT). Se fosse aprovado agora, em segunda votação, o projeto teria que ser sancionado pelo prefeito João Doria (PSDB). Nos bastidores, fala-se que a não realização da votação seria uma forma de poupar o prefeito do constrangimento de sancionar ou não a homenagem a ex-primeira dama.

Reis considerou a atitude de Tuma arbitrária e mostrou que “ a Câmara parece que tem um dono”. Segundo ele, não é comum na ‘ Casa’ vereadores se oporem aos projetos que, na verdade, são homenagens. “A família do Maluf tem o nome em diversos locais da cidade e nunca ninguém disse nada. Isso é pressão desses grupos que apoiaram o golpe”, falou Reis.

O presidente da Casa, o vereador Milton Leite (DEM), tem um projeto para homenagear, no mesmo trecho da Chucri Zaidan, o arquiteto Carlos Bratke. O projeto de Leite ainda não foi votado, mas é visto por aliados do prefeito João Doria como uma forma de impedir a homenagem à dona Marisa. Além disso, o vereador João Jorge (PSDB) pretende colocar em votação o projeto que batiza um trecho da Avenida Nações Unidas com o nome da antropóloga, Ruth Cardoso, também ex-primeira dama e esposa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (falecida em 2008).

Na base petista, o projeto de Jorge é visto mais como uma provocação do que uma homenagem – e prometem criar resistência. Não existe prazo para que as homenagens sejam colocadas em votação.

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