Servidores vão às ruas no RJ por nova proposta salarial

Uma passeata com cerca de 500 manifestantes na manhã desta sexta, no Rio, marcou a resposta dos servidores públicos federais à decisão do governo federal de encerrar as negociações com todas as categorias. Professores universitários, estudantes, médicos, servidores da área de saúde e da cultura participaram do ato em frente ao estádio do Maracanã, na zona norte da cidade. Eles cobraram diálogo e novas propostas de reajuste salarial.

ANTONIO PITA, Agência Estado

24 de agosto de 2012 | 18h09

Os manifestantes rejeitaram a proposta de aumento salarial de 15,8% apresentada pelo governo. Professores universitários negaram a informação do governo de que a categoria teria aceitado o acordo. Com faixas, cartazes e gritos fazendo alusões à desigualdade entre os investimentos nos serviços públicos e nas obras para a Copa de 2014, os manifestantes reiteraram que vão continuar em greve até que o governo retome as negociações, mesmo com as ameaças de corte do ponto dos grevistas.

"Já estamos acostumados com as ameaças, são uma demonstração do autoritarismo do governo", afirmou Mauro Iasi, diretor da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes) no Rio. "Nós estamos dispostos a abrir mão de aumento salarial para que o governo se comprometa com a reestruturação da carreira do professor. Agora, depende do governo, o movimento se fortalece a cada dia."

A questão salarial e a valorização da carreira dos servidores foram alvo de críticas de lideranças nas áreas de saúde e cultura. "O governo nunca foi tão duro com os servidores federais. Ele vem protelando desde março e deixou para a última semana a apresentação da proposta. O clima de tensão é inevitável", afirmou Geandro Pinheiro, diretor do Sindicato dos Servidores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O protesto causou lentidão no trânsito na zona norte da cidade, em função do bloqueio total de ruas e avenidas pelos manifestantes. Ao final da passeata, os servidores deram um abraço simbólico no campus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O objetivo era prestar solidariedade ao movimento grevista de professores e estudantes estaduais, que entraram em confronto com a polícia no fim da tarde de quinta-feira.

O ato foi acompanhado por guardas municipais e policiais do Batalhão de Choque com máscaras de proteção contra bombas de efeito moral. A presença ostensiva dos policiais causou apreensão e revolta entre os manifestantes, mas, apesar do clima de tensão, não houve confronto.

Antes da manifestação, servidores ligados ao Ministério da Cultura (MinC) também fizeram um protesto em frente ao Museu da República, na zona sul. Eles estenderam em frente ao museu uma réplica de 13 metros do pijama usado por Getúlio Vargas no dia de seu suicídio, há 58 anos. Os manifestantes alertaram para o que eles chamam de `suicídio'' do ministério, em função do descaso com os equipamentos culturais e esvaziamento dos quadros de servidores.

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