Servidores se dizem indignados com reforma da previdência

Os líderes sindicalistas dos servidores públicos reagiram com indignação à proposta de reforma previdenciária acordada hoje entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os 27 governadores. De acordo com sindicalistas, o pacote de medidas divulgado pelo ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, é mais profundo que as mudanças que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tentou fazer e não conseguiu."A reforma previdenciária ficou pior do que já estava. Nem o Fernando Henrique sonhava chegar a tanto", afirmou ontem o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), José Domingos de Godói Filho. Segundo ele, o conteúdo da reforma vai contra todas as propostas dos servidores e ainda confisca mais direitos. "Estão fazendo a reforma não por justiça social, como o Lula tem dito, mas apenas pela receita fiscal", disse. De acordo as estimativas dos sindicalistas, ao contrário do que o governo diz, a maioria dos servidores será prejudicada com mudanças como a cobrança dos inativos e a criação do redutor de 5% ao ano para quem se aposentar antes dos 60 anos (homens) e 55 anos (mulheres). Conforme o vice-presidente do Andes, além de só tirar direitos do setor público, a proposta de reforma previdenciária do governo Lula "não refresca" a situação do trabalhador do setor privado, na medida em que o governo não pretende rever, por exemplo, o fator previdenciário, mecanismo criado no governo Fernando Henrique Cardoso que acaba reduzindo o valor das aposentadorias pelo INSS. De imediato, os trabalhadores do setor privado que hoje ganham acima de R$ 1.500 também serão prejudicados com a elevação do teto do INSS para R$ 2.400, pois poderão ter a sua contribuição praticamente duplicada. Os sindicalistas alegam ainda que, além de o setor público perder o atrativo por ter um teto igual ao do INSS, ainda será prejudicado com uma contribuição na aposentadoria que hoje não é aplicada. Pelo acordo anunciado pelo ministro Berzoini, os funcionários públicos inativos passarão a contribuir para a previdência com uma alíquota de 11% sobre a fatia de salário que superar R$ 1.058."Quero saber como o STF vai se posicionar sobre esta questão. Espero que o judiciário mantenha suas posições", disse o vice-presidente do Andes, referindo-se à antiga decisão do Supremo de considerar inconstitucional a cobrança dos inativos. As entidades dos servidores públicos decidiram indicar uma nova data para paralisações nacionais da categoria, nos dias 14 e 15 de maio. Segundo Domingues, as negociações que estão sendo realizadas com o governo não estão servindo para nada, já que o governo não atendeu até agora a nenhuma de suas propostas para a questão previdenciária e salarial. "O governo não está negociando, mas impondo o modelo dele, como fazia o Fernando Henrique", comentou Domingues.

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