Servidores recusam proposta do governo e falam em greve

As 12 entidades representativas das mais diversas categorias do funcionalismo federal reunidas na Coordenação Nacional das Entidades de Servidores Federais (CNESF) decidiram rejeitar hoje a tabela de reajuste salarial apresentada pelo Ministério do Planejamento. Dessa forma, não apenas vão manter o calendário de mobilização, com uma possível deflagração de greve geral do funcionalismo já em abril, como passaram a elevar o tom de cobrança sobre o governo. Insistem em um reajuste emergencial de 50,19%, linear para todos os servidores ativos, aposentados e pensionistas."A mobilização está mantida e já orientamos as bases a intensificá-la, porque, nesse governo, quem grita, leva. Foi assim com o MST e com a bancada governista e, se a lógica é essa, vamos segui-la", afirmou à Agência Estado Jorge Ricardo Moreira, diretor da Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps), uma das entidades ligadas à CNESF.Ele se referia à liberação de R$ 1,7 bilhão anunciada ontem pelo governo para que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) não "infernize" o governo em abril, como prometeu o coordenador do movimento João Pedro Stédile, e também à liberação de R$ 300 milhões de emendas de parlamentares, anunciada durante a crise política do caso Waldomiro Diniz.Os servidores entendem que a proposta do Ministério do Planejamento é "insuficiente". Isso porque, ao diferenciar os reajustes por categorias, que vão desde 10,79% para professores do segundo grau a 29,38% para a área de securidade social, a proposta é "distorciva", na avaliação dos sindicalistas. "Mesmo dentro das categorias pode haver diferenciação de reajustes. Vamos abrir uma briga para dividir o pouco que nos oferta? Claro que não", argumentou. Segundo Moreira, o governo quis "colocar um bode na sala", ao apresentar reajustes distintos entre as categorias, deixando de lado o debate sobre a disponibilização de receitas para o aumento de salário, ainda limitadas a R$ 1,5 bilhão. "O governo tem que aumentar o aporte, porque R$ 1,5 bilhão ainda é insuficiente, inclusive porque exigimos a incorporação ao salário das gratificações funcionais", comentou. "Só a correção do último ano exigiria aporte de R$ 10 bilhões."

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