Servidores reagem a cortes e ameaçam greve no RS

Funcionários públicos do Rio Grande do Sul, a exemplo do que servidores do Ceará fizeram na quinta-feira, já falam em iniciar uma greve como protesto pelos cortes e pela suspensão de salários anunciados por governadores recém-empossados. No RS, sindicalistas discutem abertamente uma paralisação. No Ceará, os servidores estaduais ameaçam parar já na segunda-feira. O funcionalismo teme que a governadora Yeda Crusius (PSDB) leve adiante a proposta de congelar o salário por dois anos. Também há temor de que haja atrasos nos pagamentos. "As pessoas estão indignadas e se vierem a uma assembléia será para tomar uma posição drástica", previu o presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul (Fessergs), Sérgio Arnoud.A disposição é semelhante no Centro dos Professores do Estado, avisou a presidente, Simone Goldschmidt. "A categoria está entrando em férias, mas as pessoas já falam em parar se os salários começarem a atrasar", contou. Simone disse ainda que vários governos já assumiram falando em dificuldades financeiras, mas todos mantiveram o pagamento do funcionalismo em dia.Com a mesma explicação de que serão cobrados sacrifícios de todos para zerar o déficit das finanças públicas, estimado em R$ 2,3 bilhões, técnicos do novo governo já avisaram que com a receita prevista só será possível pagar 9 das 13 folhas de salário deste ano. Além disso, a governadora pode decretar nos próximos dias o congelamento dos vencimentos.Arnoud quer marcar uma audiência para pedir a Yeda que poupe de medidas tão radicais os cerca de 250 mil funcionários - incluídos os inativos. Ele argumentará que os servidores não recebem aumentos reais há mais de 12 anos, desde o governo do pedetista Alceu Collares (de 2001 a 2004), e 85% deles ganham menos de R$ 1.500 por mês. Também lembrará que são indispensáveis à prestação de serviços de educação, saúde e segurança à população.Se Yeda insistir no congelamento, o segundo passo do funcionalismo será contestar a medida na Justiça, alegando que a Constituição estabelece a correção anual dos salários. Ao mesmo tempo, os servidores cogitam reagir com paralisações.Os fornecedores do Estado, que vêm recebendo com atraso, ainda não definiram o que vão fazer se os pagamentos de produtos e serviços forem suspensos. Yeda tem dito que no regime de caixa que está adotando todos os desembolsos estão condicionados à disponibilidade de dinheiro. Quando faltarem recursos, a quitação de dívidas será feita conforme uma ordem de prioridades a ser estabelecida pelo governo - o que quer dizer que haverá lista de espera.AlagoasO governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), negou na quinta-feira ter bloqueado cerca de R$ 3 milhões do duodécimo da Assembléia Legislativa, que serviria para o pagamento do 13º dos funcionários da Casa. Segundo ele, foi feita a suspensão dos pagamentos apenas para que a nova equipe possa tomar pé da situação financeira do Estado. "Foi um ato de caráter administrativo, no sentido de que a nova equipe tome conhecimento da realidade das finanças de Alagoas", afirmou.A medida também atingiu o Ministério Público e o Tribunal de Justiça. Mas Teotônio afirmou que não há crise entre os Poderes no Estado e, tão logo seja feita a avaliação da situação financeira, o repasse dos recursos voltará ao normal.Teotônio acrescentou que a medida não se restringiu à Assembléia e ao Judiciário. "Todos os pagamentos foram suspensos", garantiu. Mas ele afirmou que não há nenhuma decisão de que haja bloqueio de contas. "Se for necessária, qualquer intervenção financeira será feita através do diálogo, de forma transparente", disse o governador.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.