Servidores ocupam secretaria da Fazenda em Maceió

O prédio da Secretaria Estadual da Fazenda, no centro de Maceió, foi invadido nesta quinta-feira por um grupo de mais de mil servidores públicos, que protestam contra a suspensão dos reajustes salariais concedidos em 2006, feita pelo governador Teotônio Vilela Filho (PSDB). Eles não encontraram resistência para invadir o prédio, e desligaram equipamentos eletrônicos, elevadores e pediram a retirada dos funcionários. Cerca de oito mil servidores, policiais civis, trabalhadores sem-terra e índios saíram em passeata pela cidade em manifestação contra o governo do Estado. Quando os grevistas entraram, os funcionários da Secretaria desocuparam o prédio. A secretária da Fazenda, advogada Fernanda Vilela, que é irmã do governador, não estava durante a ocupação. O subsecretário, Maurício Toledo, disse que não tinha como impedir a invasão e deixou o prédio. Os manifestantes acusam o governador de dar o calote nos servidores, ao editar o decreto 3.555/2007, que suspendeu todos os reajustes salariais concedidos pelos ex-governadores Ronaldo Lessa e Luis Abílio (ambos do PDT). Os servidores afirmam que permanecerão dentro do prédio da Fazenda até que o decreto seja revogado. Até o final da tarde não tinha sido registrado atos de violência. A Polícia Militar chegou ao local e o Centro de Gerenciamento de Crises da PM tenta negociar a saída dos manifestantes. Apoio da CUT "Nós só desocuparemos o prédio depois que o governador Téo Vilela revogar esse decreto ilegal e imoral", afirmou a vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), professora Lenilda Lima. Segundo ela, as medidas adotadas pelo governo atingiram praticamente todas as categorias dos servidores públicos ativos, inativos e até os pensionistas. "Ele mexeu com todo mundo, ao tirar do bolso dos servidores cerca de R$ 20 milhões", afirmou Lenilda. O deputado estadual Paulo Fernando dos Santos (PT), disse que as lideranças do movimento tentam uma reunião com o governador para negociar com a revogação do decreto 3.555/2007. Para o procurador-geral de Justiça, Coaracy Fonseca, o decreto é inconstitucional. Já o procurador-geral do Estado, Mário Jorge Uchôa, insiste na legalidade das medidas. Ele disse que o chefe do Ministério Público Estadual está equivocado. "O decreto não anulou as leis, apenas suspendeu, temporariamente, os reajustes salariais, em respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, que estava sendo desrespeitada pelo governo anterior", afirmou Uchôa. Proposta do governo O presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol), Carlos Jorge da Rocha, disse que a categoria rejeitou a proposta feita pelo governo à Polícia Militar e à Polícia Civil. Cerca de 2 mil policiais civis estão em greve. Servidores da educação e da saúde também estão com suas atividades paralisadas. Na quarta-feira, o governo do Estado propôs devolver 50% do que foi retirado no salário de dezembro na folha de janeiro e 50% na folha fevereiro. "Nós só aceitamos a devolução inteira e para todos os servidores", afirmou o presidente do Sindpol. Já os policiais militares decidiram, em assembléia geral realizada nesta manhã, aceitar a proposta do governo. "Até segunda-feira, quando retemos uma nova rodada de negociação com o governo, o aquartelamento está suspenso", afirmou tenente-coronel Lucena, presidente do Clube dos Oficiais da PM. Unidade de emergência O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde em Alagoas, Francisco Lima, afirmou que apenas 30% da Unidade de Emergência - principal pronto-socorro de Alagoas - está funcionando devido a paralisação, que atinge cerca de 7 mil servidores. Apenas os médicos, que realizam assembléia nesta sexta-feira, ainda não aderiram ao movimento.

Agencia Estado,

18 Janeiro 2007 | 18h34

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