Servidores municipais tumultuam festa cívica

Os servidores municipais de Salvador, em greve desde o dia 15 em campanha por aumento salarial, cumpriram a promessa de tumultuar os festejos de 2 de julho, a mais importante data cívica do Estado, conhecida como Independência da Bahia - que celebra a expulsão das tropas portuguesas da capital, em 1823, por um exército de populares montado no Recôncavo Baiano. Um grupo estimado pela Polícia Militar em mil pessoas, ligadas aos sindicatos da categoria, vaiou políticos e causou confusão. O prefeito da capital baiana, João Henrique Carneiro (PMDB), contrariou as expectativas e compareceu ao evento, acompanhado pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), e por secretários municipais. João Henrique foi bastante hostilizado pelos manifestantes, que chegaram a atirar ovos e papéis na comitiva da administração municipal. Um dirigente sindical se envolveu em uma briga com supostos seguranças do prefeito, mas a confusão foi controlada com a chegada dos policiais militares.Os tumultos começaram antes das 8 horas. Funcionários da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom), que não aderiram à greve, foram destacados para retirar faixas colocadas nos postes do Largo da Lapinha - ponto de partida do desfile. Houve empurra-empurra e a polícia foi chamada.Pouco depois, por volta das 9 horas, chegaram ao largo o prefeito e o governador Jaques Wagner (PT) - este último acompanhado pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira (PV), além de secretários estaduais. O diretor-geral do sindicato dos servidores, Everaldo Braga, chegou a se envolver em uma discussão com seguranças do prefeito. Foi rendido por eles, retirado do local e liberado em seguida. "Tudo o que vi foi a festa da população", disse o prefeito.Apesar de se dizer emocionado com a festa, o governador não escondeu seu descontentamento com as vaias recebidas. "É natural que as pessoas se manifestem, mas em uma data como esta, eu preferiria que elas aplaudissem quem elas gostam e silenciassem quando passasse alguém de quem elas não gostam." O ministro Geddel discordou. "A população tem de ter a liberdade para se manifestar", argumentou.BLOCOSNo desfile, dois blocos políticos chamaram a atenção.Um deles reunia os recém-parceiros no Estado, DEM e PSDB. O outro foi o PR, que - apesar de fazer parte da base de sustentação ao presidente Lula e ao governo estadual - deu mais um sinal de que deve se aliar ao bloco de oposição nas eleições estaduais do ano que vem.

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