Servidores federais prometem greve geral

Os servidores públicos federais poderão entrar em greve geral por tempo indeterminado a partir do dia 22 de agosto. Os cerca de 1 milhão de funcionários públicos reivindicam um reajuste salarial de 75,48%, que corresponde às perdas referentes ao período de janeiro de 1995 a dezembro de 2000, período em que não receberam aumento. A decisão foi tomada por unanimidade por 300 delegados representando 11 sindicatos, em uma plenária realizada na manhã de hoje, em Brasília. Já na próxima quarta-feira, cruzarão os braços os servidores da Previdência Social, Trabalho e Saúde, que vão se unir aos técnicos de 32 universidades federais parados desde o dia 25 de julho. "A nossa paciência chegou ao limite", anunciou o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior, Fernando Pires.Durante essa semana, os representantes dos sindicatos e das Confederações vão correr atrás de apoio para os seus pedidos. O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Securidade Social, Vladimir Nepomuceno, confirmou para amanhã uma reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves (PSDB-MG), onde será apresentada a pauta da categoria.No mesmo dia, representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal (Sindsep-DF) vão fazer uma vigília em frente ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, em busca de uma audiência com o ministro Martus Tavares. Ainda na terça será apresentado, no Sindicato do Bancários do Distrito Federal, um estudo elaborado pelo Dieese mostrando o impacto na economia brasileira da ausência de reajustes salariais para o funcionalismo público."Estamos vivendo um momento de desorganização da máquina administrativa e profunda insatisfação dos trabalhadores", avisa o diretor do Sindsep, Cláudio Santana. Para ele, não existe mais condições dos servidores agüentarem a pressão pela qual estão passando. "Será que ninguém percebe que somos nós quem cuidamos do patrimônio desse País?", protesta ele.A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em favor do reajuste dos servidores é mais um trunfo para tentar reverter o fato de o governo não ter especificado o reajuste dos servidores nas propostas da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O PC do B questionou essa posição do Executivo por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) impetrada no STF. "O governo está usando a mídia, ora dizendo que não concede o reajuste, ora garantindo que está estudando alternativas para a reposição salarial", observa Pires. Segundo ele, os servidores já estão vacinados contra isso. "O momento é favorável à existência de várias mobilizações e não vamos abrir mão dos nossos direitos", garantiu.

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