FERNANDO GOMES/Agência RBS
FERNANDO GOMES/Agência RBS

Servidores estaduais aprovam greve de três dias no Rio Grande do Sul

Os trabalhadores protestam contra o parcelamento dos salários e os projetos de ajuste fiscal encaminhados pelo governo gaúcho à Assembleia Legislativa para combater a crise financeira do Estado

Gabriela Lara, correspondente, O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2015 | 18h34

Porto Alegre - Em uma assembleia unificada nesta tarde, servidores aprovaram uma greve de três dias, a começar nesta quarta-feira, 19, que terá adesão generalizada entre as diferentes categorias do funcionalismo estadual no Rio Grande do Sul. Os trabalhadores protestam contra o parcelamento dos salários e os projetos de ajuste fiscal encaminhados pelo governo gaúcho à Assembleia Legislativa para combater a crise financeira do Estado.

A paralisação vai afetar áreas como educação, saúde e segurança pública, nas quais os serviços serão reduzidos. Após os três dias, os servidores estaduais manterão o estado de greve. O funcionalismo definiu que, se no 31 de agosto o Executivo não pagar os vencimentos de forma integral, a paralisação será retomada automaticamente até o dia 3 de setembro, quando haverá outro chamamento público unificado em Porto Alegre para deliberar sobre a continuidade do movimento por mais tempo. 

A assembleia desta tarde, no Largo Glênio Peres, no centro da capital gaúcha, foi um ato simbólico que serviu principalmente para demonstrar a insatisfação do funcionalismo com a administração estadual, uma vez que as categorias já haviam decidido internamente pela greve. A mobilização é considerada histórica, já que nunca antes no RS tantas categorias haviam se unido em uma assembleia deste tipo.

Mais de 40 entidades representativas dos servidores estavam presentes. Conforme a Brigada Militar, o ato reuniu 30 mil pessoas."Aqui não vai ser como no Paraná, aqui a polícia vai estar junto dos professores", disse um dos líderes em cima de um dos carros de som que estavam no local, em referência aos confrontos ocorridos em Curitiba no mês de abril.

A reunião teve uma enxurrada de xingamentos ao governador José Ivo Sartori (PMDB), tanto nos cartazes carregados pelos manifestantes como nos discursos das lideranças sindicais. "Oh Sartori, preste atenção, no meu direito tu não mete a mão", dizia um cartaz. O presidente do Sindicato dos Escrivães e Inspetores de Polícia do RS (UGEIRM), Isaac Ortiz, afirmou que, se o governo não pagar os salários de agosto, haverá mais pressão. "Pé na porta dele (do governador)", falou.

Já o presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários (Amapergs), Flávio Berneira Junior, disse que, se Sartori não tem competência, deveria "retirar o chapéu" e voltar para Caxias do Sul - cidade que governou por oito anos. Após a assembleia, os servidores seguiram em passeata até a Praça Marechal Deodoro, onde fica o Palácio Piratini e a Assembleia Legislativa. 

O objetivo era entregar um documento com presidente do Legislativo, Edson Brum (PMDB), com as reivindicações das categorias. As principais críticas dizem respeito a projetos apresentados recentemente pelo Executivo, que incluem mudanças no sistema previdenciário dos futuros servidores, alterações no tempo de aposentadoria dos policiais militares e extinção de fundações públicas. Eles também protestam contra o aumento da carga tributária, que deve constar em novo pacote que será anunciado por Sartori esta semana.

Na chegada à AL, houve um princípio de tumulto quando agentes do Pelotão de Operações Especiais do 9.º Batalhão da Polícia Militar bloqueou a entrada dos manifestantes. Na sequencia, após uma breve negociação, eles conseguiram chegar ao plenário onde havia sessão ordinária, com a presença dos deputados. Os servidores protestaram nas galerias pedindo a não aprovação dos projetos de austeridade fiscal.

Consequências da greve

A expectativa é que as escolas estaduais fechem as portas até sexta-feira. Os policiais civis só vão atender casos de crimes considerados graves, como homicídios, latrocínios e aqueles envolvendo crianças. A Brigada Militar, por sua vez, vai executar uma "operação padrão", que consiste em sair para a rua apenas com viaturas em perfeitas condições e armamentos que não estejam vencidos. Na prática, isso significa a redução de policiamento. A paralisação deve abranger quase a totalidade dos cerca de 150 mil servidores estaduais da ativa.

No mês de julho, o Executivo parcelou o salário dos servidores com uma linha de corte de R$ 2,150 mil. Quitou os vencimentos 12 dias depois e, para isso, atrasou outras obrigações, como a parcela da dívida com a União. Por causa da inadimplência com o governo federal, as contas do Estado estão bloqueadas desde a última terça-feira, até atingirem o montante devido à União, de R$ 265 milhões. Com o agravamento da crise, é dado como certo um novo parcelamento dos vencimentos em agosto, e possivelmente com uma linha de corte menor, já que não no dia 31 haverá pouquíssimo dinheiro em caixa. A situação, se confirmada, resultará no prosseguimento da greve.

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