Servidores do INSS ameaçam retomar greve

Com a volta ao trabalho prevista para segunda-feira, os servidores do Instituto Nacional doSeguro Social (INSS) ameaçam retomar a greve. O comando do movimento alega que o Ministério do Planejamento alterou o texto do acordo fechado na semana passada com o governo. O Executivo, porém, diz que as mudanças já estavam previstas na proposta firmada com os sindicalistas. Pelo acordo, os servidores terão um reajuste linear e uma gratificação por desempenho que totalizam uma despesa extra de R$ 186,6 milhões.Os sindicalistas afirmam que, ao alterar a proposta, o Planejamento deixou de fora 5.600 servidores que ocupam funções extintas pelo plano de carreira. O governo diz que profissionaiscomo os motoristas, por exemplo, já estavam longe dos benefícios estabelecidos pelo acordo firmado na terça-feira.A segunda divergência é justamente o cálculo da nova gratificação. Antes de fechar o acordo, o governo exigia que 90% da gratificação fosse variável e o restante, fixo. Logo, osaposentados teriam 10% da gratificação, Na hora de fechar o acordo, o sindicato conseguiu aumentar o índice destinado aos inativos para 30%. A mudança acarretou uma diminuição dosreajustes aos servidores da ativa e criou um novo impasse nas negociações.Os servidores foram orientados pelos líderes sindicais a acompanharem os desdobramentos das negociações com o governo. "Não temos intenção de romper o diálogo", disse o Wladimir Nepomuceno, da Confederação dos Trabalhadores na SeguridadeSocial (CNTSS). "A greve vai depender dessa intervenção dos ministérios."Hoje, a Previdência conta com 34 mil funcionários na ativa e 40 mil aposentados e pensionistas. Nas contas dos sindicatos, se fosse concedido aos ativos aumento previsto no início das negociações a despesa não iria ultrapassar o limite de R$ 186,6 milhões. Um assessor do governo disse que os sindicalistas estão "vendendo" uma história diferente. E se os cálculos não batem é devido às mudanças exigidas pela própria categoria. Por uma questão de matemática, disse ele, os servidores da ativa devem receber menos. Ele admite, porém, que houve falhas do Planejamento durante a elaboração do projeto, mas esses problemas teriam sido corrigidos pela Casa Civil.Na segunda-feira, os sindicalistas se reúnem com oministro Roberto Brant. Eles não aceitam que 5.600 funcionários com cargos em extinção fiquem fora das conquistas salariais. Em plenária realizada hoje, em Brasília, os sindicatos decidiram dar uma "carta branca" ao ministro. O comando de greve vai esperar até o final da tarde de terça-feira para discutir os rumos do movimento. Nesse dia, o Executivo estaria enviando ao Congresso o projeto de lei queconcede os reajustes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.