Servidores da área de cultura protestam no Rio

Servidores federais da área de cultura se caracterizaram como personagens de peças de Nelson Rodrigues e promoveram manifestação para protestar contra o abandono do setor, nesta quarta à tarde, no centro do Rio.

ALFREDO JUNQUEIRA, Agência Estado

29 de agosto de 2012 | 19h42

Os funcionários, que não estão em greve, cobram o cumprimento de acordos salariais e de planos de cargos firmados com o governo federal em 2007 e 2011. Os reajustes pedidos chegam a 78%.

O protesto "Para Dilma, a Cultura é bonitinha, mas ordinária" reuniu cerca de 100 pessoas em frente ao Teatro Glauce Rocha, onde há uma exposição e uma mostra de peças em comemoração ao centenário de Nelson Rodrigues. Outras faixas também faziam referências a obras do escritor. "Cultura: A Falecida!", "Toda a nudez será castigada. Cultura está descamisada".

Além de Dilma, os manifestantes também protestaram contra a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, responsável no governo federal pelas negociações com os servidores.

Vice-presidente da Associação dos Servidores do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o museólogo Andre Angulo disse que há uma evasão de 53% de servidores federais na área da cultura e que os salários do setor são os mais baixos.

"O salário inicial é de cerca de R$ 3,1 mil. Ninguém quer ficar. A iniciativa privada acaba levando os quadros formados no serviço público", queixou-se Angulo. Para ele, os compromissos assinados pelo governo "estão no lixo".

Além dos reajustes, o servidores cobram a racionalização e padronização de cargos, titulações para funcionários de nível superior e gratificação de qualificação para o pessoal de nível médio.

"Estamos aqui para denunciar o descaso do governo com a cultura. Esse reajuste salarial oferecido (15,8% em três parcelas) é ridículo. Uma verdadeira esmola", protestou a presidente da Associação dos Servidores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Zulmira Porto. "Nós não somos mendigos. Somos nós que protegemos e preservamos a cultura brasileira".

O objetivo dos servidores da cultura é chamar a atenção com protestos temáticos. Na semana passada, eles fizeram outro ato em frente ao Museu da República, no Catete, antiga sede da Presidência da República, onde o então presidente Getúlio Vargas se matou em 24 de agosto de 1954. Na manifestação, os funcionários usavam pijamas similares ao de Vargas.

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