Servidora da Receita diz que 'esquentou' violações a pedido da Corregedoria

Ana Maria Cano foi detida para explicar a suspeita de que estaria induzindo contribuintes a assinar procurações para justificar acessos ilegais

Bruno Tavares, de O Estado de S.Paulo,

10 de setembro de 2010 | 17h39

A servidora da Receita Federal Ana Maria Rodrigues Caroto Cano alegou, em depoimento à Polícia Civil, ter sido orientada pela Corregedoria do órgão a "esquentar" o acesso ao sigilo de contribuintes que tiveram seus dados fiscais acessados ilegalmente na agência de Mauá, na Grande São Paulo. Ana Maria é uma das suspeitas de acessar ilegalmente declarações de contribuintes a partir da senha da chefe da Receita na cidade.

 

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Segundo informações da Polícia Civil de São Paulo, a servidora e seu marido, José Carlos Cano Larios, foram detidos para prestar depoimento sobre a suspeita de que estariam induzindo os contribuintes a assinar procurações com o objetivo de justificar os acessos ilegais. Em depoimento, eles disseram que seguiam orientação da Corregedoria da Receita.

 

A agência de Mauá foi palco da quebra de sigilo fiscal de quatro tucanos, de Verônica Serra e do genro do presidenciável tucano, José serra. Todos os acessos partiram do computador da servidora Adeildda Ferreira dos Santos, que junto com Ana Maria teria livre acesso a senha da chefe da Agência, a servidora Antonia Aparecida Neves Silva. Na semana passada, o Estado revelou a estratégia do comando da Receita para abafar a violação do sigilo fiscal de Verônica, ocorrida dia 30 de setembro de 2009 numa agência Santo André. Por 20 horas, a Receita sustentou a versão de que ela pedira seus dados, mesmo sabendo que a violação ocorrera com uma procuração falsa.

 

A suspeita de que Ana Maria e Larios estariam tentando "esquentar" os acessos surgiu depois da denúncia de um contribuinte, que disse ter sido procurado por Larios com um pedido para assinar uma procuração autorizando o acesso a seus dados fiscais.

 

A denúncia levou os investigadores ao escritório de Larios, onde foram encontradas 23 procurações preenchidas, mas não assinadas, de pessoas que a polícia suspeita que tiveram seus dados fiscais acessados sem procuração na agência de Mauá.

 

Após a detenção para a tomada de depoimento, Ana Maria e Larios foram liberados.

 

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