Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Sertanista devolve medalha de mérito indigenista após condecoração de Bolsonaro

Sydney Possuelo, com atuação reconhecida internacionalmente, decide abrir mão da comenda em protesto

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2022 | 13h23

BRASÍLIA  - O sertanista Sydney Possuelo, ex-presidente da Funai e com atuação reconhecida no Brasil e no exterior, decidiu devolver a comenda do mérito indigenista. Com 82 anos, Possuelo entregará a medalha ao Ministério da Justiça na tarde desta quinta-feira, 17. Ontem, o ministro da Justiça, Anderson Torres, condecorou a si mesmo e ao presidente Jair Bolsonaro com a mesma comenda.

O gesto de Possuelo é um protesto não só contra a condecoração de Bolsonaro, como em relação à política que o atual governo vem adotando em relação aos indígenas. No mais recente movimento contra esses povos, Bolsonaro vem pressionando o Congresso a aprovar projeto que libera a mineração em terras indígenas, entre outras atividades

"Entendo, senhor ministro, que a concessão do mérito indigenista ao senhor Jair Bolsonaro é um flagrante, descomunal, ostensiva contradição em relação a tudo que vivi e a todas as convicções cultivadas por homens de estatura dos irmãos Villas Boas", escreveu em carta endereçada ao ministro da Justiça."Devolvo ao governo brasileiro, por seu intermédio, a honraria que, no meu juízo de valores, perdeu toda a razão pela qual, em 1972, foi criada pelo presidente da República."

Possuelo recebeu sua comenda em 1987. A condecoração foi criada em 1972 para homenagear pessoas com dedicação reconhecida à causa indígena. O sertanista, que chegou a presidir a Funai da década de 1990, passou a cuidar dos índios isolados, promovendo ações de proteção às comunidades sob ameaça da incursão de madeireiras e garimpo ilegal na Amazônia.

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