Serraglio e Izar se únem contra acordão para salvar cassáveis

Em reunião realizada hoje para traçar uma estratégia que evite a salvação de deputados da fila da cassação do mandato, o presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), e o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), reafirmaram o temor de que partidos promovam um grande acordo quando chegar o momento da votação no plenário da Câmara, a partir da primeira semana de fevereiro. Há onze processos em cursos contra deputados suspeitos de envolvimento no mensalão, o pagamento para garantir apoio ao governo e para reforçar as bancadas da base aliada. São investigados cinco deputados do PT, quatro do PP, um do PFL e um do PL. "O medo é que partidos que têm deputados investigados estabeleçam um acordo para se auto protegerem. Estamos vigilantes", disse Serraglio.Izar disse que os integrantes do conselho farão de tudo para evitar a repetição da absolvição do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG), que foi condenado no Conselho de Ética, mas inocentado na votação do plenário. "Tivemos um erro básico porque não nos preparamos para essa eventualidade. O plenário não pode romper a tradição de aprovar os pareceres do conselho. Não queremos um novo episódio Romeu Queiroz", disse Izar.Salvar petistasO relator de um dos processos disse hoje ter sido informado de que o acordão tentaria salvar os mandatos de dois petistas, Professor Luizinho (SP) e João Paulo Cunha (SP), e de Pedro Henry (PP-MT). Os deputados e as lideranças de seus partidos negam qualquer movimento conjunto. Izar e Serraglio dizem que fazem uma ação preventiva. Izar promete fazer uma peregrinação por todas as bancadas, acompanhado do relator de cada processo, para explicar por que a decisão final do conselho foi pela cassação ou pela absolvição. "Nosso comportamento vai mudar depois do Romeu Queiroz. Vamos evitar que aconteça algo errado em termo de acordo", disse Izar.Serraglio, criticado pelos governistas da CPI dos Correios por não ter detalhado os pagamentos feitos pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza ao PSDB, garantiu que vai incluir tudo o que foi investigado no relatório final, que pretende apresentar em fevereiro.

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