Serra vive dia de candidato no Rio

O traquejo no corpo-a-corpo anda enferrujado, mas o desejo de ser candidato à Presidência da República o ministro da Saúde, José Serra, já não escondeu hoje. À vontade, ele distribuiu beijos em criancinhas, apertou a mão de mulheres e idosos, tirou fotos. Foi no bairro de Bangu, na Zona Oeste, o maior colégio eleitoral do município do Rio, que Serra viveu o dia de candidato.A convite do secretário municipal de Saúde, Ronaldo Cézar Coelho, seu companheiro de partido, Serra veio ao Rio e enfrentou o calor de Bangu para lançar o Cartão Nacional de Saúde, que pretende facilitar o atendimento dos 100 milhões de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). O ministro foi levado de carro para a Escola Nações Unidas, onde foi recebido por alunos, pais e pela componentes da bateria-mirim da escola de samba de Padre Miguel. Empolgado, prometeu liberar recursos para a construção de uma maternidade na região, em um terreno abandonado do Exército, e elogiou as mulheres, a quem disse serem responsáveis pelo aumento da venda de genéricos no País."Fica um pessoal combatendo aí, mas são as mulheres que estão contribuindo para a disseminação do uso do genérico no Brasil", disse. No discurso, o ministro ressaltou que a venda desse tipo de medicamento cresceu 29% nos últimos dois meses - em outubro, foram vendidos 4,4 milhões de unidades, contra 3,4 milhões, registrados em setembro. No fim da solenidade, mais beijos, abraços e fotos. A estudante Fernanda de Oliveira, de 12 anos, fez questão de tirar um retrato no colo do ministro. O pai, o desempregado Ezequias de Oliveira, 43 anos, em retribuição, prometeu-lhe o voto em 2002, caso seja mesmo o candidato do PSDB. "Vamos soltar ele na rua", disse o secretário de Saúde, pedindo para que Serra entrasse no carro. Ronaldo Cézar Coelho queria fechar o dia de candidato de Serra com chave de ouro. E foi o que fez. Levou o ministro para o calçadão de Bangu, centro comercial do bairro, onde a prefeitura desenvolve uma obra de reurbanização do projeto RioCidade. Tímido, com a gravada frouxa, Serra apertou as mãos de eleitores e entrou numa farmácia, para saber se ali estavam vendendo genéricos. Logo na entrada, ficou surpreso com a trocadora Daisy Lúcia Bonfim dos Santos, de 37 anos, comprando um vermicida, genérico, para o filho."É mais barato", disse ela para o ministro, que respondeu com um largo sorriso e um parabéns. "Voto no senhor", devolveu Daisy, para a satisfação de Serra. Logo que chegou a Bangu, ele fez questão de avisar aos jornalistas que não falaria sobre política. Cumpriu o prometido durante as quase duas horas que ficou na Zona Oeste. "Sempre fiz corpo-a-corpo na minha vida, mas agora com essa história de sucessão, vocês ficam dizendo que estou em campanha", desconversou, meio sem jeito, o ministro, antes de ir embora.

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