Serra vai encontrar líderes do DEM para conter rebelião contra vice tucano

Negociação para acabar com a crise começou ontem em almoço no Rio, no qual ficou acertado que presidenciável precisa sinalizar ainda hoje que vai enquadrar correligionários que resistem a abrir mão de suas candidaturas para democratas nos Estados

Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2010 | 08h09

Panos quentes. ‘A primeira coisa é sentar e fazer uma avaliação. Não pode ter esse cabo de força’, diz Guerra

 

A crise deflagrada entre o PSDB e o DEM, que ameaçou romper a romper a aliança com o presidenciável tucano José Serra, deve chegar ao fim nas próximas horas, com o recuo dos democratas e a consolidação da chapa puro-sangue da oposição na disputa pelo Planalto.

 

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Depois de ensaiar por três dias uma rebelião contra a indicação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para ocupar o cargo de vice-presidente na chapa do tucano, os líderes do DEM pretendem se reunir ainda hoje com Serra para tentar encerrar o impasse na aliança entre os dois partidos.

 

"Vamos conversar para que a gente possa avançar de forma unida na campanha do Serra. Nós queremos a vitória do Serra", afirmou ontem o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). "O partido está 100% unido, esperando que o PSDB entenda que precisa dialogar, conversar." Na véspera, Maia deu duras declarações admitindo apenas a hipótese de o vice de Serra sair dos quadros do DEM.

 

Almoço. As negociações para acabar com crise começaram ontem à tarde, no Rio, em um almoço oferecido por Rodrigo Maia a nove integrantes da cúpula do DEM. Numa reunião de cerca de cinco horas, o partido discutiu as saídas para desfazer o mal-estar com os tucanos. Ficou acertado que Serra precisa sinalizar ainda hoje que vai enquadrar os tucanos que resistem a abrir mão de suas candidaturas para o DEM nos Estados. O maior imbróglio é no Pará e em Sergipe.

 

Na reunião, o partido se dividiu em dois grupos. Um deles, mais radical, defendeu o fechamento de questão em torno da tese de que o vice de Serra tinha de ser do DEM. Faziam parte desse grupo os deputados José Carlos Aleluia (BA), um dos cotados do partido para ser o vice do tucano, e Ronaldo Caiado (GO), além do ex-prefeito Cesar Maia.

 

Prevaleceu, no entanto, a tese da ala mais moderada e numerosa: a necessidade de um encontro com o presidenciável para tratar das alianças nos Estados e mostrar que o DEM tem sérias dificuldades em aceitar o nome de Álvaro Dias. No almoço, os líderes do partido avaliaram que foi péssima a repercussão interna com a escolha de Dias para vice.

 

Preocupado, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), telefonou duas vezes, durante o almoço, para Rodrigo Maia. Deixou claro que, se for necessário, o PSDB vai enquadrar os dissidentes, a exemplo do que foi feito pelo PT da presidenciável Dilma Rousseff.

 

"O DEM está firme na indicação do vice. É a condição dele para votar no Serra. E o PSDB indicou o Álvaro Dias. A primeira coisa é sentar e fazer uma avaliação. Não pode ter esse cabo de força", argumentou Guerra.

 

"Esperamos que o DEM, como parceiro importante do projeto de vitória da candidatura Serra, compreenda que essa escolha é extremamente benéfica não só no Paraná, mas também no resto do Brasil", emendou o deputado Jutahy Magalhães (PSDB-BA), um dos articuladores da campanha de Serra.

 

Kassab. O encontro previsto para hoje com Serra deverá ser com o presidente do Conselho Político do DEM e prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o ex-presidente partido Jorge Bornhausen, além de Rodrigo Maia. Os democratas definiram ontem que a convenção do DEM só será realizada nesta quarta-feira caso os dois partidos cheguem a um acordo.

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