Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Serra usa sabatina para criticar setores do governo que se dizem 'socialistas'

Em encontro promovido por entidade ruralista, tucano ataca repasse de dinheiro público ao MST

01 Julho 2010 | 12h57

Sozinho na sabatina feita pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) - as candidatas Marina Silva (PV) e Dilma Rousseff (PT) recusaram o convite - o presidenciável José Serra (PSDB) aproveitou para fazer promessas de campanha e lançou críticas ao Movimento dos sem-terra e a setores do governo.

 

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Serra começa sabatina na CNA

 

"O MST é um movimento que se diz de reforma agrária quando na verdade usa a ideia da reforma agrária para uma mudança de natureza revolucionaria socialista no Brasil. Não quero reprimir, não. Só sou contra que usem dinheiro do governo para isso, não dá", disse Serra ao comentar uma das críticas feitas pela CNA sobre insegurança jurídica.

 

"Ao governo não compete dar dinheiro para os diferentes movimentos de forma disfarçada. É importante a gente mostrar qual é a motivação para isso. Na verdade não é reforma agrária. É um movimento de natureza que propõe um tipo de transformação no Brasil", completou.

 

Serra também criticou setores do governo que, segundo ele, se dizem socialistas. "Tem gente que se diz de esquerda, mas na verdade é regressiva e atrasada. Tem ódio, repudio ao progresso técnico", disse o candidato, brincando com a plateia dizendo que os restos mortais de Karl Marx devem "tremer no túmulo" diante disto.

 

Além das críticas ao governo, José Serra também alfinetou os adversários na corrida presidencial. "Nossa estratégia de campanha é dar exposição, dar transparência e dar verdade", disse o candidato que chegou à sabatina pouco mais de uma hora atrasado. O evento da CNA estava marcado para começar às 9h e terminar 13h. Sem a presença dos demais candidatos convidados, Serra extrapolou também os limites de tempo impostos pela entidade para respostas. Repreendido pela mediadora, disse: "Eu quero um bônus, porque os outros não vieram".

 

Promessas

 

Serra também lançou críticas às altas taxas tributárias, a política de juros e o baixo investimento em infraestrutura. "O Brasil tem hoje tem recordes mundiais. O primeiro é taxa de juro real. Nós somos o primeiro do mundo há muito tempo, entra governo sai governo", disse. "Outro problema é o baixo investimento governamental. Turcomenistão, pelo que eu sabia era o último país em taxa de investimento. O penúltimo era o Brasil".

 

Em contrapartida, desfiou elogios ao setor agropecuário, o qual chamou de "galinha dos ovos de ouro do desenvolvimento brasileiro". Fez elogios aos empresários do setor, e fez questão de pedir aos entrevistadores que o chamassem de Serra ou Zé, ao invés de "senhor candidato". Pela presidente da CNA, a senadora de oposição Kátia Abreu (DEM-TO), foi chamado de presidente num momento de desatenção.

 

Em tom de campanha, prometeu implantar o defensivo genérico no Brasil e o seguro rural. "Preços garantidos no Brasil que funcionem. Isso vai ser feito. Não precisa anotar porque está gravado. Isso vai ser feito. Nós vamos fazer isso", disse, recebendo os primeiros aplausos da plateia.

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