Serra trabalha por Temer, mas evita interferir no Senado

Briga não interessa ao governador, mesmo porque, seja qual for o resultado, não favorece candidatura em 2010

Cida Fontes, da Agência Estado

22 de janeiro de 2009 | 17h52

Ao mesmo tempo em que se empenha para eleger o deputado Michel Temer (PMDB-SP) para a presidência da Câmara, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), evita interferir na disputa pelo comando do Senado. Serra tem falado ao telefone com o senador petista Tião Viana (AC), candidato do PT, com quem mantém boas relações desde sua gestão no Ministério da Saúde, mas, nessas conversas, não se compromete. Segundo interlocutores de Serra, não interessa ao governador entrar na briga pela presidência do Senado, mesmo porque, seja qual for o resultado, não favorece sua candidatura à sucessão presidencial, em 2010. A eventual eleição do senador José Sarney (PMDB-AP) para o comando do Senado, em 2 de fevereiro, não aumentaria o ibope do tucano dentro do PMDB. Pelo contrário, os dois são desafetos políticos há quase uma década, e Sarney, portanto, não vai facilitar a vida do paulista. Segundo raciocínio de parlamentares do PSDB, o apoio velado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à candidatura de Sarney tem em vista a eleição de 2010. Lula conseguiria amarrar o grupo de Sarney, que inclui o peemedebista Renan Calheiros (PMDB-AL), a uma eventual candidatura da ministra petista Dilma Rousseff, da Casa Civil, à presidência da República. Ou seja, é politicamente mais vantajosa para Lula uma vitória de Sarney do que ter os dois senadores como adversários dentro do PMDB. Antes de anunciar a Lula sua candidatura na última segunda-feira, Dilma Rousseff foi à residência de Sarney visitá-lo. Por outro lado, se o PT assumir o Senado com a eleição de Tião Viana, o governador paulista, segundo avaliação de um dirigente do PSDB, continuará na mesma. No cargo, Tião Viana trabalharia a favor de Dilma, sem contar que pretende se eleger governador do Acre em 2010 pelo PT. Tendo em vista esse cenário é que a bancada do PSDB se reunirá, provavelmente na próxima terça-feira, ou na quarta-feira pela manhã, para definir os votos dos 13 senadores. No momento, a bancada está dividida entre Tião e Sarney. Ainda nesta quinta-feira, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), se reúne com Sarney e Tião e leva aos colegas o resultado das conversas. O DEM, aliado de primeira hora de Sarney, exerce pressão sobre os tucanos. Pelo roteiro traçado, o PSDB definirá seu rumo antes do almoço da bancada do PMDB marcado para a próxima quarta-feira, quando os senadores devem aprovar a candidatura de Sarney em substituição à do senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), que vinha fazendo campanha pela reeleição e já desistiu, informalmente, para apoiar o ex-presidente da República. No caso da Câmara, deputados do bloquinho, que sustentam a candidatura de Aldo Rebelo (PC do B-SP), avaliam que a eventual vitória de Michel Temer será debitada na conta do PSDB e do DEM. Com bom trânsito no PSDB paulista, Temer é uma aposta do grupo político de Serra. Até por isso, os articuladores da candidatura de Aldo acreditam que haverá traições do PT de São Paulo. "O PSDB é mais fiel a Temer que o PT", disse um deputado paulista que não quis se identificar. Pelas contas que circulam na Câmara, 60 deputados do PT trairiam Temer. Também estariam trabalhando para evitar que o PMDB assuma a presidência da Câmara e do Senado o governador da Bahia Jaques Wagner (PT) e o ex-governador petista Marcelo Déda, que têm influência na bancada de deputados do PT.

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