'Serra tem tido todo o meu apoio'

Alckmin diz que cancelará sua agenda para acompanhar o presidenciável em São Paulo

Roberto Almeida e Daniel Bramatti,

21 de agosto de 2010 | 04h16

O tucano Geraldo Alckmin anunciou ontem, durante a sabatina promovida pelo Estado, que deixará de lado sua própria agenda de candidato sempre que for preciso acompanhar seu correligionário José Serra em eventos de campanha em São Paulo.

Alckmin disse estar seguro de que Serra chegará ao segundo turno na disputa presidencial e prometeu "todo o apoio" a ele. O candidato a governador negou que sua derrota na disputa pela Prefeitura de São Paulo, em 2008, tenha sido causada pela falta de empenho de Serra em sua campanha. Então governador, Serra praticamente não participou da campanha do colega de partido, pois preferia que Gilberto Kassab, do DEM, fosse o vitorioso. "Em eleição a gente não deve transferir responsabilidade. A responsabilidade (pela derrota) é minha." A seguir, trechos da sabatina:

 

Lula na TV

 

O Serra nem mencionou o Lula (na televisão). O fato é que o Serra foi governador de São Paulo no mesmo período em que o Lula foi presidente. A política exige civilidade. Não vejo nenhum problema nisso. Não é desespero (usar a imagem do presidente). A campanha está começando. O Serra vai para o segundo turno. Eu já estou apoiando, é óbvio. O Serra está em primeiro lugar em São Paulo. Ele terá todo meu apoio, como tem tido. Eu já fui candidato a presidente da República. Você não tem como ficar apenas em São Paulo. São 26 Estados, e mais o Distrito Federal, para fazer campanha. Mas, quando o Serra estiver em São Paulo, eu cancelo toda a minha agenda. A agenda é dele. Nós estaremos juntos, percorrendo o Estado inteiro. Serra foi um bom prefeito de São Paulo, um bom governador do Estado, um bom ministro da Saúde, um bom ministro da área econômica.

 

Serra em 2008

 

(Serra) Não deixou na mão, não. Em eleição a gente não deve transferir responsabilidade. A responsabilidade (pela derrota) é minha. Quando fui candidato a prefeito de São Paulo, eu andava na rua e as pessoas diziam: "Tudo bem, mas daqui a dois anos o senhor vai ser candidato a governador, não é?" Não, eu dizia que seria prefeito.

 

TV Cultura

 

Não acho (que haja interferência do PSDB na TV Cultura), não tem procedência. A matéria (sobre pedágios, que supostamente teria provocado a queda de um diretor) foi ao ar. É um assunto interno. A TV Cultura tem uma fundação, tem conselho próprio. Eu fui governador por cinco anos e meio e nunca interferi em nada. Só acho que ela deve ter foco cada vez mais educativo e cultural, porque é isso que justifica colocar recursos públicos. Zero de interferência.

 

Dossiês

 

Na eleição passada, (houve apreensão de) R$ 1,7 milhão para comprar um dossiê falso. O candidato (Aloizio Mercadante, do PT) disse ontem que não tinha conhecimento. Será que a pessoa que foi presa com o dinheiro tirou do seu bolso, tinha guardado R$ 1,7 milhão? Alguém vai acreditar numa coisa dessas? E até hoje não descobriram a origem do dinheiro. É lastimável. São desvios de conduta muito graves, sérios e reincidentes. E há outros casos, de violação do sigilo do vice-presidente do PSDB na Receita Federal. A injustiça cometida contra um cidadão é uma ameaça à toda a sociedade. Hoje a vítima é uma, amanhã vai ser outra. Existem princípios de gestão, de espírito público, que nós precisamos recuperar no Brasil.

 

Recursos de campanha

 

Fazemos uma campanha modesta. Vamos gastar o mínimo necessário. O caro numa campanha eleitoral é rádio e televisão. Mário Covas diz que deveria ter uma mesinha e uma cadeira. Você tem 4 minutos por dia. Então você senta lá fala o que defende. Custo zero. Hoje virou uma coisa cinematográfica. Quanto mais dinheiro tem, mais pode produzir isso. Eu defendo a mesinha e a cadeira. Já melhorou, hoje está proibido camiseta, brinde, show de artista. Precisávamos fazer uma coisa mais verdadeira. O objetivo de uma campanha é discutir propostas, ver o que as pessoas pensam. Sou favorável ao financiamento público de campanha, mas não nesse momento, O Brasil não tem partido político ainda. Quando há mais de 30 partidos, não há partidos.

 

Conflitos no campo

 

Nós temos o Itesp, Instituto de Terras do Estado de São Paulo. O Estado faz reforma agrária, temos milhares de famílias assentadas. Agora, invasão de terra, não. Invadiu, vai desinvadir. Ou nós respeitamos a lei ou vai virar bagunça. Terra invadida não pode ser objeto de desapropriação. E alguns fazem discurso contra invasão de terra, mas o PT liberou para essas entidades ligadas ao Movimento dos Sem-Terra R$ 160 milhões em 8 anos. Dinheiro público. Sou favorável à reforma agrária. Contra invasão de terra. Entramos na Justiça e conseguimos parte das terras no Pontal do Paranapanema. Temos mais de 100 assentamentos no Estado.

 

Ficha Limpa

 

Sou favorável. Acho que os próprios partidos poderiam implementar. O Supremo Tribunal Federal vai acabar dando a interpretação final sobre a polêmica. A lei vale para condenações anteriores ou só daqui para a frente? Minha opinião é de que já vale. O objetivo do legislador, quando aprovou a lei, era evitar que alguém condenado em crimes contra o patrimônio pudesse se candidatar. Não é para o futuro, É para o que já ocorreu.

 

Ex-adversários

 

O último governador antes do Mário Covas foi o (Luiz Antonio) Fleury, não o Orestes Quércia (sobre o comentário de que o PSDB teria assumido um Estado quebrado). É inegável que a situação financeira do Estado era dificílima. Tanto é verdade que nós, que éramos oposição, ganhamos a eleição. Vivemos em um sistema pluripartidário. O PMDB é um partido grande, importantíssimo. O Quércia tem sido muito correto conosco e com o Serra. Uma parte do PMDB está apoiando o Serra. Jarbas Vasconcelos, candidato ao governo de Pernambuco, um setor de São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul... Temos aí sete ou oito Estados em que o PMDB nos apoia, o que é muito necessário e positivo.

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