Serra suspende saques com cartões do governo paulista

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), anunciou hoje a suspensão temporária dos saques na boca do caixa pelos usuários dos cartões de débito do governo estadual, similares aos cartões de crédito corporativos do governo federal. Apesar disso, ele ressaltou que, até o momento, não foi encontrada nenhuma irregularidade no uso desses cartões por servidores do Estado. No ano passado, o governo gastou R$ 108 milhões por meio de 42.315 cartões usados por cerca de 20 mil servidores.Serra afirmou ainda que os saques muitas vezes se tratam de débitos e ordem bancárias e não de retiradas de quantias diretamente de caixas eletrônicos. "Com relação aos saques, há um equivoco imenso porque boa parte daquilo que é considerado saque em dinheiro não é que alguém vai para um caixa eletrônico e retira o dinheiro. É um debito bancário, ordem bancária", disse Serra, após sessão solene de abertura do ano judiciário, no Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo."Pelo sim pelo não, mandei suspender os saques de dinheiro. A maior parte nem é saque de dinheiro, mas mandei suspender até para podermos fazer um balanço desse assunto", afirmou. Serra disse que as denúncias que surgiram a respeito do uso indevido dos cartões no governo estadual são parte da estratégia do PT para desviar o foco da denúncia que derrubou a ex-ministra da Secretaria Especial de Igualdade Racial Matilde Ribeiro e que mantém sob suspeita outros ministros e servidores federais."No momento em que apareceram lambanças inquestionáveis, o PT, com seu estilo tradicional, tenta levantar a cortina de fumaça." Ele citou também que a bancada petista na Assembléia Legislativa, um dia após descartar o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Casa, voltou atrás seguindo orientação da Executiva Nacional do partido. "Esses dados a respeito dos cartões estão disponíveis desde o final de 2000, por uma determinação do então governador Mario Covas, que criou esse sistema em São Paulo. E, de repente, quando tem a onda em Brasília, eles (petistas) ficam passando para a imprensa coisas normais da administração como se fossem escandalosas", disse.Temor de CPISerra disse que o governo de São Paulo não se preocupa com a instalação de uma CPI. "Não tememos nada. Quem não deve não teme", afirmou. "Deve-se dizer que este cartão, já dissemos isso exaustivamente, é muito diferente do federal. Em primeiro lugar, não há conta secreta. O governo federal tem. Segundo, trata-se de um cartão de débito, e não de crédito. É coisa que está no orçamento, com despesa mensal pré-fixada."Serra anunciou também que todos os dados do sistema serão disponibilizado na internet assim que possível. Embora possam ser acessadas por todos os deputados da Assembléia Legislativa antes de serem enviados ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), essas informações não estão disponíveis para o acesso da população. "Uma vez constatado que há muito interesse no assunto, o dado que era público agora vai também para a internet. Eu já instruí a Secretaria da Fazenda e agora é só um problema técnico de tempo para isso." Além disso, Serra disse que uma comissão formada por secretários estaduais vai analisar os gastos, feitos em mais de 55 mil estabelecimentos. "Se encontrarmos alguma coisa irregular, vamos punir. É muito importante que se descubram irregularidades, se elas houverem. Nenhum instrumento é imune ao desvio de comportamento, em nenhuma esfera do poder, mas o cartão foi considerado um avanço do ponto de vista prático e de controle", afirmou. Segundo Serra, a implementação completa da nota fiscal eletrônica também deve dar mais transparência aos gastos.

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