Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Serra se reúne com chefe da campanha de Russomanno

Tucano e presidente nacional do PRB falam em não agressão no 1º turno; candidatos estão empatados nas pesquisas de intenção de voto

Julia Duailibi e Bruno Boghossian, de O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2012 | 22h30

O candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, José Serra, reuniu-se com o coordenador da campanha de Celso Russomanno, Marcos Pereira, presidente nacional do PRB, para discutir a conjuntura eleitoral e traçar um cenário na disputa pela capital paulista. Durante a conversa, os dois lados falaram que não pretendem se agredir durante a eleição.

O encontro ocorreu na sexta-feira, 20, à noite, no apartamento do prefeito Gilberto Kassab, que foi quem convidou Pereira para a reunião. Presidente nacional do PSD, o prefeito paulistano é o principal articulador político de Serra e tem boa relação com o PRB, que apoia a sua administração na cidade.

Um dia depois do encontro, no sábado, foi divulgado o resultado da pesquisa Datafolha que coloca Russomanno em empate técnico com Serra. O candidato do PRB tem 26% das intenções de voto contra 30% do tucano – a pesquisa tem margem de erro de três pontos porcentuais para mais ou para menos. O candidato do PT, Fernando Haddad, tem 7% das intenções de voto.

Kassab também esteve, no domingo, 22, na casa do deputado estadual Campos Machado, presidente do PTB paulista – partido que emplacou Luiz Flávio D’Urso como vice de Russomanno.

O PSDB quer imprimir uma "convivência pacífica" com o candidato do PRB e defende um acordo de cavalheiros com ele, por avaliar que o ex-deputado segura o crescimento de Haddad.

Russomanno é o candidato com o melhor desempenho entre os eleitores que declaram o PT como seu partido de preferência. Nesse grupo, ele tem 29% das intenções de voto contra 19% de Serra e 15% de Haddad. Ele também tem bom desempenho nas classes menos escolarizadas e com renda mais baixa, um dos focos do PT na eleição.

Coordenadores da campanha do tucano afirmam que o "melhor dos mundos" seria disputar o segundo turno contra o candidato do PRB. Para eles, seria mais fácil vencer Russomanno numa segunda rodada da eleição que o candidato petista.

Isso porque, dizem os tucanos, o PRB teria menos estrutura na cidade os petistas para fazer campanha. Também avaliam que a campanha contra o PT será muito pesada, já que o partido bateria mais forte em Serra que o candidato do PRB, apesar de Russomanno manter boa relação com os petistas. Em 2010, quando disputou o governo do Estado pelo PP, de Paulo Maluf, Russomanno apoiou a eleição de Dilma Rousseff (PT) contra Serra e atacou o então candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.

Na corrida eleitoral deste ano, o PT tentou fechar uma aliança com o PRB. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a chamar os líderes do partido para uma conversa.

Segundo turno. Apesar das conversas entre Serra e o PRB, tanto petistas quanto tucanos dizem que a tendência hoje é a de que Haddad comece a crescer nas pesquisas quando começar o horário eleitoral na televisão. A aposta hoje ainda é de um segundo turno entre Serra e Haddad.

O candidato do PT terá 7min34s em cada bloco do horário eleitoral na TV. Serra aparecerá um pouco mais do que o petista: 7min46s. Já Russomanno tem apenas 2min07s.

Petistas e tucanos também apontam que Haddad deve crescer quando se tornar conhecido e os eleitores passarem a identificá-lo como candidato do PT.

Segundo o Datafolha, apenas 15% dizem conhecer o petista "muito bem" – ao todo, 55% dos eleitores sabem quem ele é. Já o candidato do PRB é conhecido por 94% da população e metade desse público diz conhecê-lo "muito bem". Serra é conhecido muito bem por 78% dos entrevistados – 99% dos eleitores sabem quem é o tucano.

"A pesquisa mostra que o eleitorado do Serra está consolidado e a sua rejeição deve diminuir a partir do início do programa eleitoral na TV", disse o deputado Orlando Morando, um dos coordenadores da campanha.

Para o presidente estadual do PT, Edinho Silva, "neste momento, as pesquisas só identificam o ‘recall’ dos candidatos". "Haddad nunca participou de um processo eleitoral, então ele não pode ter ‘recall’. Quem está aparecendo agora é quem já participou de outras eleições", disse. / COLABOROU BRUNO LUPION

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