Roque de Sá/Agência Senado
Roque de Sá/Agência Senado

Serra se licencia do Senado para tratar Parkinson

Suplente do tucano, José Aníbal vai assumir o cargo

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2021 | 17h31

O senador José Serra (PSDB-SP) anunciou nesta terça-feira, 10, que está se licenciando do cargo pelos próximos quatro meses para realizar um tratamento médico. Após avaliações neurológicas finalizadas na última semana, o tucano foi diagnosticado com Parkinson em estágio inicial. Em nota, a assessoria de Serra informou que ele vai passar por um período de adaptação à medicação e também vai tratar de seu distúrbio do sono.

"O parlamentar encontra-se em bom estado de saúde, mas optou pelo afastamento para que seu suplente, José Aníbal, possa assumir, sem deixar a cadeira de senador por São Paulo em vacância durante o período do tratamento experimental. A decisão também evitará eventuais paralisações no andamento dos projetos em favor do País", diz a nota. 

Eleito senador em 2014, quando desbancou Eduardo Suplicy (PT) e recebeu quase 10 milhões de votos, Serra estava afastado da vida partidária no PSDB desde que deixou o ministério das Relações Exteriores no governo Michel Temer (MDB) em 2019.  Após ser submetido a uma cirurgia na coluna cervical que deixou sequelas, ele optou por retornar ao parlamento.  

Em julho, o senador foi diagnosticado com covid-19 e ficou internado por 13 dias em São Paulo de forma preventiva. 

José Serra foi prefeito de São Paulo em 2005 e 2006. O atual senador também ocupou o cargo de governador do Estado entre 2007 e 2010, ano em que disputou as eleições presidenciais e perdeu para Dilma Rousseff. Antes, já havia concorrido para o cargo em 2002. Antes de ser chanceler de Temer, Serra foi, no governo Fernando Henrique Cardoso, ministro do Planejamento entre 1995 e 1996 e da Saúde entre 1998 e 2002.

Desde a eleição presidencial daquele ano, quando perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Serra tentou manter o protagonismo no xadrez político e nas fileiras do PSDB. Mesmo com problemas de saúde, o tucano ainda mantinha seu nome como potencial candidato à reeleição ao Senado ou mesmo ao Palácio dos Bandeirantes.  

Nos últimos meses, porém, emissários do partido e interlocutores do governador João Doria ventilaram a hipótese do senador disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2022, quando termina seu mandato. Com isso, o PSDB teria livre a vaga do Senado para negociar o apoio de outras forças políticas ou mesmo para oferecê-la ao ex-governador Geraldo Alckmin

Ao assumir o Senado por pelo menos 4 meses, o suplente de Serra, José Aníbal, ganha projeção e força interna no PSDB no momento em que o partido vive um processo de prévias para escolher seu candidato ao Palácio do Planalto. Aníbal foi o coordenador do grupo de trabalho que estabeleceu a regra da disputa interna.

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