Serra se diz vítima de 'permanente guerra de baixaria'

Tucano volta a dizer que é alvo de baixarias depois de ter sido divulgado outros dois nomes que tiveram o sigilo quebrado

Carolina Freitas, da Agência Estado

26 de agosto de 2010 | 15h38

SÃO PAULO - O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, voltou a cobrar da adversária Dilma Rousseff (PT) explicações sobre o vazamento de dados de quatro pessoas ligadas ao tucano. "Dilma tem de dar explicações ao Brasil do que aconteceu, porque foi feito e quem são os responsáveis." Serra classificou a atitude que atribui aos adversários como uma "modalidade criminosa" de campanha. "Não é a primeira vez que eu sofro deste tipo de baixaria. Vocês lembram o dossiê dos 'aloprados', comandado pelo atual candidato do PT ao governo de São Paulo (Aloizio Mercadante). Agora tem mais essa. Há uma permanente guerra de baixaria", afirmou o tucano em entrevista após palestrar para 150 diretores e presidentes de empresas associadas à Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e equipamentos (Abimaq), na capital paulista.

 

O vazamento de informações fiscais de pessoas ligadas a Serra foi mencionado pelo candidato durante a fala aos empresários, quando o tucano dizia que era importante um presidenciável ter apenas uma cara. "Um candidato não pode ter duas caras. Tem de ter uma cara só. Não dá para brincar com o Brasil. É preciso que a pessoa tenha uma só opinião sobre questões como a liberdade de imprensa, o aparelhamento do Estado, e crimes contra a Constituição, como foi feito agora com essa quebra de sigilo."

 

O tucano disse que o vazamento teve finalidade eleitoral, para beneficiar Dilma. "A informação inicial para o Eduardo Jorge (vice-presidente do PSDB, que teve dados vazados) foi passada pela Folha (jornal Folha de S.Paulo) como tendo sido recolhida no comitê do PT, da Dilma", disse Serra. "Isso é um crime contra a Constituição. É uma transgressão gravíssima. Trata-se do governo entrando na vida privada das pessoas e utilizando informações para finalidades eleitorais, como instrumento de chantagem."

 

Questionado se entraria na Justiça para ter esclarecimentos sobre o caso, Serra disse que a decisão caberá ao PSDB. O candidato não respondeu se usará o episódio em seu programa do horário eleitoral gratuito. "Assistam para saber", respondeu. Serra já havia encerrado a entrevista coletiva quando foi questionado sobre o caso do vazamento. Resolveu então voltar para a roda de jornalistas e falar sobre o assunto. "Bom, querem que eu fale? Eu falo da quebra de sigilo. Vocês estão tão fixados no tititi que mesmo as coisas de tititi que são importantes vocês não perguntam."

 

Serra recusou-se, mais uma vez, a comentar o resultado da pesquisa Datafolha divulgada hoje em que aparece 20 pontos atrás de Dilma. A petista tem 49% das intenções de voto, contra 29% de Serra.

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