Serra se define 'presidente da produção' a empresários

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, derrubou um tabu de campanha, hoje, em sua visita a Goiânia. Mal disse boa-tarde e foi logo declarando, de maneira objetiva, o que pretende fazer caso eleito: "Eu, presidente da República, vou ser o presidente da produção do Brasil". A frase de Serra arrancou aplausos dos empresários de Goiás, que se reuniram hoje, na Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). "Esse é um aspecto fundamental, eu estou ligado nisso", disse o tucano. "Eu nasci num bairro operário de São Paulo, me acostumei a conviver com operários, acostumei a ver riqueza produzida", disse, referindo-se aos tempos em que morou na Mooca, bairro paulistano onde nasceu em 1942.

RUBENS SANTOS, Agência Estado

20 de julho de 2010 | 19h43

O tucano José Serra também afirmou que vai investir em infraestrutura como fator de geração de produção e riquezas no Brasil e em Goiás (9º maior Produto Interno Bruto entre os estados brasileiros), o que desencadeará o surgimento de novos polos de desenvolvimento. "Estou do lado dos que trabalham, com riscos, e produzem", disse o ex-governador paulista. "O atual governo não é de produção", criticou.

Serra manteve o foco nas críticas ao governo Lula ao comentar que os empresários assumem riscos no País e investem em inovação. No entanto, disse, há os que fazem o capitalismo socialista, onde socializam os prejuízos e privatizam os ganhos. "O governo ajuda para que isso aconteça. Basta ver os contratos de Belo Monte, e da ferrovia rápida ligando Rio de Janeiro a São Paulo, o trem-bala", apontou.

"Aí é tudo sem risco", disse. O ex-governador afirmou que o governo federal terá de pagar em subsídios, pelo trem-bala, o equivalente a R$ 3 bilhões por ano. É ele, governo, quem vai bancar tudo. "Para quem entra no projeto, o risco é nulo. Se o projeto der errado, a receita será do governo", advertiu. "Se alguém vai pagar é o governo. Se der certo eles ganham", disse.

Propostas

O candidato afirmou que, para aumentar a produção, um possível governo tucano irá investir em comércio exterior: "Hoje, temos uma política pouco agressiva". "O Lula vive viajando, mas nos aproximou de alguns países que, somados, não dão 1% do nosso mercado interno."

Os planos de um possível governo também passam pela redução da Selic - a maior taxa do mundo é a brasileira, segundo Serra -, no aperfeiçoamento de um sistema de crédito via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e em aeroportos. "Aeroportos são a questão vital", disse Serra. "Virou um problema muito sério, porque a Infraero é muito incompetente, está loteada".

Após explicar o que fará com a caneta, o orçamento trilionário da União e o Diário Oficial - a maior expectativa dos empresários que foram às centenas ouvir o presidenciável - José Serra andou pelas ruas do Centro de Goiânia, onde afirmou que seu governo vai investir também na construção de metrôs.

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