Serra responsabiliza Dilma por escândalo envolvendo Erenice Guerra

'Se sabia, é crime. Se não sabia, não é boa administradora', afirmou o candidato tucano à Presidência da República

Luciana Nunes Leal/RIO DE JANEIRO, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 16h16

Ao comentar mais uma denúncia sobre um suposto esquema de corrupção e tráfico de influência na Casa Civil, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, fez uma referência ao período em que sua adversária Dilma Rousseff, do PT, foi titular da Pasta: "Se (Dilma) sabia, é crime. Se não sabia, não é boa administradora, porque anos e anos com um esquema feito ao lado do gabinete, com distribuição de propinas até para a compra de remédios, o que é especialmente mórbido, não dá", afirmou.

 

Ele se referia à reportagem publicada na revista Veja desta semana, que informa o recebimento de propina de R$ 200 mil por Vinícius de Oliveira Castro, ex-funcionário do ministério e um dos sócios de Israel Guerra, filho de Erenice Guerra, que foi secretária executiva de Dilma e depois a sucedeu da Casa Civil.

 

Serra destacou que o suposto esquema de pagamento de propina acontecia desde o período em que Dilma comandava a Casa Civil. "Tudo o que eles querem é dizer que eleição é uma coisa e que governo é outra. A gente sabe que não é assim. Um esquema como esta na Casa Civil não se criou a partir de abril (quando Dilma deixou o governo para iniciar campanha). É coisa que vem de muito tempo."

 

Serra disse que "é preciso dar um basta" à corrupção no governo federal. O candidato afirmou que a população está mais informada sobre as denúncias que envolvem a ex-ministra Erenice do que sobre a quebra de sigilo fiscal de pessoas próximas a ele. "Muita gente no Brasil não entendeu o que é quebra de sigilo, embora seja um crime grave. Mas, todo mundo sabe o que é corrupção, o que é mensalão, o que é propina", declarou.

 

O tucano não quis, no entanto, especular sobre o possível impacto das denúncias na campanha de Dilma. Serra procurou destacar a importância da Casa Civil, que classificou como "o coração do governo", na administração federal. "Já é o terceiro escândalo da Casa Civil deste governo", lembrou. Ele declarou que, se eleito, sua gestão será diferente. "No meu governo isso não vai acontecer. Tenho outra história, tenho caráter, como tem caráter também a população brasileira. Nesta eleição, temos que dar um basta nesses abusos." O candidato do PSDB acabou de fazer caminhada em Icaraí, numa rua de lojas de grife da zona sul de Niterói, no Grande Rio, e segue agora para participar de encontro na Barra com deficientes físicos.

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