Serra reclama da cobertura da imprensa em SP

Para governador paulista, mídia mantém na 'clandestinidade' as ações da sua gestão

Carolina Freitas, da Agência Estado e Silvia Amorim, do O Estado de S. Paulo

25 de março de 2010 | 20h04

Pré-candidato do PSDB à Presidência da República, o governador José Serra (SP), acusou nesta quinta-feira, 25, a imprensa de cometer "leviandades" e manter na "clandestinidade" ações de sua gestão. As queixas foram feitas um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer que jornais e TVs agem de "má-fé" e dão informações erradas sobre seu governo.  

 

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"Outro dia nós apresentamos resultados de pesquisa que permaneceu clandestina na imprensa, evidente, sobre o índice de satisfação de atendimento dos pacientes do SUS nos hospitais", reclamou o tucano em discurso na inauguração de uma unidade de radioterapia no Instituto do Câncer, na capital paulista. Serra acusou os jornais paulistas de serem levianos ao noticiar algumas inaugurações de obras. A uma plateia de cerca de 150 médicos e enfermeiros, o tucano queixou-se de que iniciativas do governo estadual ficam "clandestinas na imprensa". "Eu só espero que não vão dizer que eu vim aqui inaugurar obra inacabada ou ressonância que não começou a funcionar."

Segundo o governador, a imprensa ignorou uma pesquisa da Secretaria da Saúde que dá nota 8,65 ao atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) em São Paulo e também a inauguração de um Ambulatório Médico de Especialidade (AME) em Heliópolis, na zona sul da cidade. Ao final do discurso, Serra expressou o desejo de que os jornalistas de veículos online noticiassem sua "alegria" em participar da cerimônia.

"Os serviços online de grandes jornais ontem comeram barriga. Disseram que eu fui inaugurar um centro de saúde inacabado. Eu fui inaugurar um centro de atenção integrado à saúde mental pronto para funcionar", disse o governador, referindo-se à unidade entregue ontem em Franco da Rocha. "Isso se chama leviandade. Nenhum grande jornal de São Paulo escapa disso", criticou.

Check-up

Apesar do tom das queixas, o presidenciável mostrou-se bem disposto e disse que fará um check-up antes das eleições de outubro. "Vou fazer um check-up, sim. Eu sempre faço antes de qualquer campanha eleitoral para ver o estado das artes", afirmou. Ele garantiu que está "muito bem" de saúde. "Vocês vão escrever sobre isso e os inimigos vão começar a dizer que eu estou doente", disse aos jornalistas.

O governador afirmou que já agendou no Instituto do Câncer uma tomografia completa, em um equipamento entregue na quinta-feira, capaz de detectar tumores. "O exame esquadrinha cada milímetro do corpo. Se você tiver qualquer tumor, aparece", disse. "Eu já fiz, mas não deu nada. Já que tem um mais avançado, não custa."  

 

O serviço de radioterapia do hospital ainda não está disponível. Segundo o diretor do Instituto do Câncer, Giovanni Guido Cerri, o atendimento começará em abril.  

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