Serra rebate PT e condena 'profissionais da mentira'

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, rebateu hoje as críticas divulgadas sábado pelo PT em um documento assinado por cinco centrais sindicais - CUT, Força, CGTB, CTB e Nova Central. As entidades acusam Serra de golpe contra o trabalhador por intitular-se criador do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do seguro-desemprego. "Nessa campanha, criou-se uma nova profissão, a de profissional da mentira", afirmou Serra em São Paulo, a uma plateia de 200 sindicalistas filiados à União Geral dos Trabalhadores (UGT).

CAROLINA FREITAS, Agência Estado

14 Julho 2010 | 20h45

O tucano citou até o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, como alguém que está "endossando mentiras". "Os profissionais da mentira estão aí, em praça pública. É só olhar e ver as mentiras, essa do FAT e a de que eu iria acabar com os concursos no Brasil", disse o candidato, ironizando: "Daqui a pouco esses profissionais vão reivindicar piso salarial e adicional de férias."

Durante discurso de 45 minutos, o ex-governador paulista criticou professores ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) por queimarem livros fornecidos pela Secretaria Estadual de Educação em praça pública. Lembrou ainda de um encontro que teve, quando estava à frente do Estado, com representantes da CUT. "Vocês são membros de um partido e sacrificam a defesa dos interesses dos trabalhadores à conveniência partidária", disse ter falado aos sindicalistas na ocasião. "Falei na cara."

Em entrevista à imprensa após o evento, o presidenciável chamou a CUT de "pelega". "A CUT era uma entidade antipelega até o PT chegar ao governo. Virou uma entidade superpelega", disse. "Aquilo que se chamava de pelego na época do Jango eram só aprendizes de pelego em comparação ao que se tem hoje", afirmou, lembrando os tempos do presidente João Goulart (1961-1964).

FAT

Serra aproveitou o palanque emprestado pela UGT para dar explicações sobre a autoria do FAT. "Na Constituinte, eu fiz a emenda para financiar o seguro-desemprego com recursos do PIS/Pasep, que não tinham destinação específica. O meu projeto era o que falava do FAT", frisou.

Antes do evento, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, aliado de Serra, distribuiu nota à imprensa em que se apresentava como "testemunha" do trabalho do tucano. "Serra foi, sim, o autor dos projetos que criaram o seguro-desemprego e o viabilizaram financeiramente, com a instituição do FAT", informou. A nota reproduzia uma certidão do Centro de Documentação e Informação da Câmara dos Deputados com informações sobre o projeto de Serra, de 1988.

Ao chegar ao encontro, Serra recebeu um documento de dirigentes da UGT, assinado por 12 das 20 regionais da entidade, manifestando apoio à sua candidatura. O presidenciável foi saudado como "companheiro" pelo presidente da central sindical, Ricardo Patah, e deixou o evento com o broche da central sindical.

Empregos

Serra disse aos trabalhadores que via a necessidade da criação de 20 milhões de empregos no Brasil até 2020. Questionado se essa era uma promessa, Serra negou. "É uma projeção. Para se ter uma taxa de desemprego mais decente, de 4,5% ou 5%, vamos ter de gerar esses 20 milhões de empregos até 2020. É uma análise da trajetória de aceleração do emprego", explicou.

O tucano criticou a condução econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Para Serra, o Brasil está "sem planejamento, com subinvestimento, sem mão de obra qualificada e com uma política econômica inadequada". "A fotografia do momento é boa, mas o filme pode não ser se não se resolverem todos esses problemas."

De acordo com Serra, o País está mal preparado para sediar a Copa do Mundo de Futebol em 2014. "Conseguiu-se o recorde mundial de não preparação de aeroportos para a Copa", afirmou, citando outras obras do governo federal pelo País que, apesar de "propagandeadas", não andam. "O Brasil não ganhou a Copa (de 2010), mas ganhou a Copa dos mais altos juros, da mais alta carga tributária e do mais baixo investimento governamental do mundo."

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