Serra rebate Dilma: 'não existe governo terceirizado'

Na véspera da votação em segundo turno, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, reforçou a crítica à estratégia da adversária Dilma Rousseff (PT) de se vincular ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Serra, que participou de uma carreata pela região sul de Belo Horizonte, rebateu Dilma e salientou que "não existe governo terceirizado".

EDUARDO KATTAH E CHRISTIANE SAMARCO, Agência Estado

30 de outubro de 2010 | 17h44

Depois de questionar os resultados das mais recentes pesquisas - que apontam vitória da candidata petista -, o tucano disse que "está no fundo da alma" confiante em uma virada. "Agora, a decisão é do povo", ressaltou.

O presidenciável do PSDB prometeu, se eleito, um governo de união, "sem vinganças, sem ódio". A exemplo da petista - que também participou de carreata na capital mineira - disse que sua gestão não irá discriminar governadores e prefeitos que apoiaram a candidatura adversária. "Se eleito, vou trabalhar com cada um deles, independente da camisa partidária, pelo povo do seu Estado. Todos os governadores e todos os prefeitos", afirmou. "A gente governa pelo interesse público e não pelo interesse da carteirinha partidária".

Serra foi também enfático ao rebater Dilma, que mais cedo havia afirmado que ninguém a afastará do presidente Lula, com quem pretende manter uma relação muito "íntima e forte" caso eleita. "A gente sabe que ninguém governa no lugar de ninguém. A gente sabe que quem é eleito é que governa. Não existe governo terceirizado", disse. "Não é nem um problema de que é ruim ou é bom, mas não existe na história da humanidade, na história do Brasil e no presente, no mundo inteiro."

O tucano preferiu não responder quando perguntado se Lula havia exagerado durante a campanha. Já o ex-governador mineiro e senador eleito, Aécio Neves (PSDB), disse que "em alguns momentos o presidente Lula foi além de onde precisaria ir".

Serra salientou que o País "nos últimos 25 anos progrediu muito" e atribuiu o avanço à "herança das forças democráticas". "Isso não foi obra de um homem, de um partido, ou de um só governo". Disse que se for eleito irá reunir as forças democráticas do País e comandar "um governo aberto para a população". "Um governo sem vinganças, sem ódio, que junte tudo aquilo que o Brasil tem de bom para levar o Brasil para frente."

Ele assegurou que com o apoio dos senadores eleitos do PSDB e com a própria experiência parlamentar conseguirá construir uma maioria no Congresso caso chegue à Presidência. Argumentou que, ao ocupar cargos do Executivo, sempre tratou parlamentares da oposição com "isonomia". "Isso é importante como decoro. Quem está chefiando o poder tem que ter altura."

Serra condenou o que chamou de loteamento político no governo Lula, segundo ele "base em que a corrupção prospera". "É o que, a meu ver mais empurrou o Brasil na ladeira da improbidade nesses últimos anos."

Ao comentar o debate promovido pela TV Globo, ele avaliou que as perguntas dos eleitores indecisos mostram a existência de dois países, o Brasil "da publicidade e o Brasil real". Segundo o tucano, os questionamentos dos eleitores evidenciaram o "retrato vivo dos problemas do País".

Descontraído, ao final da entrevista no Palácio Mangabeiras, Serra chegou a pedir o voto dos jornalistas, garantindo que ninguém irá se decepcionar caso aposte nele.

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