Serra quer opiniões de Denise Frossard para segurança

O candidato do PSDB a presidente e ministro da Saúde, José Serra, quer ouvir a juíza aposentada Denise Frossard para montar o programa de segurança que vai defender na campanha eleitoral. Professora de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas e à frente da ONG Transparência Brasil, Denise tem se mantido no centro dos debates do custo da corrupção no Brasil, e das discussões em torno da violência. Suas idéias sobre como resolver a questão da segurança no Brasil têm despertado o interesse de Serra, que está marcando um encontro com ela esta semana. Denise deve disputar uma vaga de deputada federal pelo PSDB em outubro, e já aceitou discutir segurança com seu candidato, em Brasília. Conhecida nacionalmente pela sentença ousada que levou à prisão bicheiros e policiais envolvidos com o crime organizado no Rio de Janeiro, em 1993, ela chegou a concorrer ao Senado, na eleição passada. Disputou pelo PPS do presidenciável Ciro Gomes, inimigo de Serra, mas no ano passado trocou o socialismo pela social democracia.As idéias da juíza aposentada sobre segurança, que Serra pretende incorporar ao programa de governo tucano, partem da tese de que a violência no Brasil não é só um caso de polícia, mas sobretudo o resultado da impunidade. Ela acredita que mesmo com as polícias unificadas, com um efetivo policial maior e o Exército nas ruas, e com penas mais duras para os criminosos, como a prisão perpétua, ainda assim o problema da segurança não estaria resolvido por uma simples razão: "O crime no Brasil compensa". Denise sugere, como solução permanente, o esforço para tornar o crime um mau negócio, acabando com a impunidade, como fez a Itália em sua operação mãos limpas.A assessoria de Serra explica que, até agora, o candidato tucano tem se comportado com muita discrição quando o assunto é segurança, para evitar que suas eventuais sugestões soem como crítica ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). "Com os bons resultados dos últimos dias, o que inclui a libertação do publicitário Washington Olivetto, o Serra fica mais liberado para tratar deste assunto", conta um assessor.

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