Serra quer lei que limite ação do presidente na campanha

Em discurso às lideranças e aliados presentes no encontro nacional do PSDB, convocado para dar largada ao segundo turno da campanha tucana, o candidato à Presidência José Serra fez críticas duras ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à sua adversária, Dilma Rousseff (PT), sem no entanto, citar expressamente seus nomes. As críticas foram indiretas: ele afirmou que, se for eleito, não fará ameaças à oposição e defendeu a aprovação de uma lei que regulamente a conduta do presidente da República nas campanhas eleitorais.

ANDREA JUBÉ VIANNA, Agência Estado

06 de outubro de 2010 | 18h43

"Com o apoio do Congresso Nacional vamos aprovar um marco para regulamentar a participação dos chefes de Executivo nas campanhas eleitorais", prometeu Serra. Ele citou o exemplo do senador Tasso Jereissati (PSDB) que não conseguiu se reeleger no Ceará. Serra atribuiu a derrota de Tasso a uma disputa desigual imposta pelo presidente Lula, que para a oposição excedeu os limites do cargo ao atuar como cabo eleitoral nessa eleição.

Num recado claro ao presidente - mas sem mencionar seu nome -, o tucano afirmou que respeitará a oposição em seu eventual governo e fez duras críticas indiretas a Lula, que em Santa Catarina pediu aos eleitores que ajudassem a "extirpar o DEM" da política nacional. "Nunca tratei, não trato e não vou tratar oposição como inimiga da Pátria. Nenhuma força política vai ser dizimada ou ameaçada de liquidação", disse Serra.

Aborto

O tucano também aproveitou para alfinetar Dilma, que perdeu milhões de votos ao dar margem a dúvidas sobre suas posições a respeito de determinados assuntos, sensíveis à sociedade civil, como religião e aborto. "O eleitor vai avaliar o que cada um fez, o que pensa e o que fará. E se cada candidato tem duas caras. Eu tenho uma só", concluiu.

Ele acusou Dilma de mudar de opinião, como na polêmica sobre o aborto. Nesse momento, incorreu em ato falho, dizendo-se, equivocadamente, favorável ao procedimento.

"Nunca disse que o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) me agrada, nunca disse que sou contra o aborto, porque sou a favor. Quero dizer, nunca disse que sou a favor do aborto, porque sempre fui contra", corrigiu-se, imediatamente. "Errado é querer enrolar, diz uma coisa, depois diz o contrário."

Ex-presidentes

Num discurso que se estendeu por 40 minutos, Serra fez elogios ao ex-presidente Itamar Franco - eleito senador por Minas Gerais - e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que até então mantinha longe de sua campanha.

Serra também criticou o estilo de governar do PT que, segundo ele, aparelha a máquina pública, e afirmou que o brasileiro não admite mais esse tipo de conduta dos políticos. Ele atribuiu a esse sentimento de insatisfação a desenvoltura de Marina Silva (PV) nas ruas. Elogiou a dignidade da candidata e atribuiu seu desempenho aos valores que ela defendeu na campanha, como ética, honestidade e lisura.

"Governantes fazem o que querem, como querem, na hora que querem. As pessoas querem um governo que respeite as instituições, as leis, a liberdade. Não querem um governo de santinhos, mas de gente séria", concluiu.

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