Serra propõe aliança com OAB ao defender apuração de quebra de sigilo

Tucano criticou o que chamou de 'esquerdinha brasileira', ao compará-la com a esquerda do Chile, onde viveu

Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2010 | 14h58

BRASÍLIA - O candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB) aproveitou sua participação, nesta segunda-feira, 13, no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para tratar da questão da quebra de sigilo fiscal de sua filha e do genro, por funcionários da Receita Federal. Serra disse que é preciso que a OAB tome providências para que numa agressão como essa a vítima não se transforme em culpada e os culpados não se transformem em vítima, como ocorre hoje nesse caso. Serra disse que queria propor uma aliança com a Ordem, não eleitoral, mas pós eleição, para que, se eleito, sair com a instituição em defesa da democracia, dos direitos humanos e do estado democrático, começando pela transparência da administração do governo.

 

Serra criticou o que chamou de "esquerdinha brasileira", ao compará-la com a esquerda do Chile, onde viveu, quando exilado. Segundo ele, a esquerda no Chile era vista como esquema de transformação e estava sempre em defesa do estado de direito. Hoje, afirmou, a esquerda brasileira menospreza o estado de direito, passa por cima dele para acobertar seus crimes e ainda usa os instrumentos do estado de direito para defender seus aliados e perseguir seu adversários.

 

Para Serra, na violação do sigilo fiscal de sua filha e do genro, tanto a direção da Receita Federal quanto a Corregedoria do órgão têm mentido sistematicamente ou se omitido. "Primeiro eles disseram que tinham uma procuração sabendo que era falsa, mas não deram a informação da falsidade do documento", lembrou. Serra disse que não tem dúvida do caráter eleitoreiro dessa quebra de sigilo.

 

 

Lobby. Ele criticou o lobby instalado em vários ministérios para arrecadar dinheiro público, que vem da corrupção e disse que a Casa Civil virou foco de escândalo, depois da reportagem da revista Veja desta semana, que denuncia o envolvimento da ministra Erenice Guerra em esquema de lobby para beneficiar seu filho. Para Serra, o que aconteceu foi "gravíssimo" e tem que ser muito bem investigado.

 

No encontro com o conselho da OAB, José Serra se comprometeu, se eleito, mandar em 30 dias ao Congresso Nacional um projeto de reforma política, de forma fatiada para que as resistências não se aliem contra a proposta. A reforma começaria pelo voto distrital que tanto pode ser misto como em lista. Serra disse que não acredita em financiamento publico de campanha, porque acha que o dinheiro paralelo que está hoje nas campanhas, vai continuar.

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