Olicio Pelosi|Futura Press
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Serra pede demissão do Ministério das Relações Exteriores

Chanceler alega motivos de saúde e informa que retomará atuação no Congresso como senador

Tânia Monteiro, Lu Aiko Ota e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2017 | 20h57

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, José Serra, pediu demissão na noite desta quarta-feira, 22, alegando problemas de saúde. Em carta entregue ao presidente Michel Temer, no Palácio do Planalto, o chanceler disse que voltará ao cargo de senador pelo PSDB.

“Faço-o com tristeza, mas em razão de problemas de saúde que são do conhecimento de Vossa Excelência, os quais me impedem de manter o ritmo de viagens internacionais inerentes à função de chanceler. Isto sem mencionar as dificuldades para o trabalho do dia a dia”, disse Serra. Ele entregou a carta pessoalmente a Temer, no Palácio do Planalto, na noite desta quarta-feira. O ministro disse que solicitava sua exoneração do cargo de Ministro das Relações Exteriores, “com tristeza”. O ex-ministro, na carta, disse ainda que foi “motivo de orgulho” integrar a equipe de Temer.

Entre os cotados para assumir a pasta estão os senadores tucanos José Aníbal, que ocupa a vaga de Serra no Congresso, e Aloysio Nunes Ferreira, hoje líder do governo no Senado. 

Desde o final do ano passado, Serra vinha sofrendo com dores na coluna. Em dezembro, o ministro se submeteu a uma cirurgia, mas as dores continuaram. 

Na semana passada, ele foi à Alemanha participar da reunião de chanceleres do G-20. Para suportar a viagem, fez infiltração – um procedimento que bloqueia temporariamente a dor. Nos corredores do Itamaraty, a condição do ministro causava preocupação. Diplomatas questionavam como poderia um chefe da pasta das Relações Exteriores viajar pouco.

Embora tenha alegado motivos de saúde, Serra estava muito insatisfeito com o trabalho no ministério. Nos últimos dias, em conversa com amigos, ao ser questionado se estava feliz no cargo, respondeu: “Se arrependimento matasse...”.

Quando assumiu o Itamaraty, em maio de 2016, imaginava que poderia influenciar nos rumos do governo e participar de discussões do núcleo duro, principalmente na área econômica. Achava que seria para Temer o que o então chanceler Fernando Henrique Cardoso foi para Itamar Franco, entre 1992 e 1993. Depois, FHC se tornou ministro da Fazenda e presidente da República.

Serra quer ser candidato ao Planalto em 2018, mas tem no partido outros dois presidenciáveis – o senador Aécio Neves (MG) e o governador Geraldo Alckmin (SP). Se não conseguir a vaga, pode concorrer ao governo de São Paulo.

O cenário até lá ainda depende do desfecho das investigações da Operação Lava Jato. No período em que esteve à frente do Itamaraty, Serra foi citado na delação premiada da Odebrecht. Executivos afirmaram que a campanha dele à Presidência, em 2010, recebeu R$ 23 milhões da empreiteira via caixa 2 na Suíça. O tucano nega qualquer irregularidade.

Vagos. Com a demissão do chanceler, Temer fica agora com dois ministérios vagos, já que ainda não definiu o sucessor de Alexandre de Moraes na Justiça e Segurança Pública. Moraes foi nomeado nesta quarta-feira para o Supremo Tribunal Federal.

Temer ficou surpreso com o pedido de demissão e na conversa com Serra tentou demovê-lo, mas não obteve sucesso. O encontro durou uma hora. O presidente agradeceu a colaboração do ministro no Itamaraty e desejou breve recuperação.

O chanceler apresentou exames recentes e explicou que os médicos exigiram dele quatro meses para “restabelecimento adequado”. Na carta, disse que no Senado vai trabalhar “pela aprovação de projetos que visem a recuperação da economia, desenvolvimento social e a consolidação democrática do Brasil”.

A exoneração será publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 23. O embaixador Marcos Galvão ficará interinamente no cargo. / COLABOROU CLAUDIA TREVISAN

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