Serra pede a Lula para assumir Porto de Santos, sem dívidas

Na reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), pediu ao presidente que a União abra mão da administração do Porto de Santos. Pela proposta, o governo paulista assumiria o porto sem as dívidas, que somam, segundo Serra, aproximadamente R$ 800 milhões - R$ 500 milhões de Refis (programa que parcela a dívida de pessoas jurídicas com o fisco) e R$ 300 milhões de processos trabalhistas. O governador afirmou que a transferência não traria prejuízo para os cofres federais. ?Seria o procedimento adotado no caso das estatais privatizadas, quando o Tesouro assumiu a dívida antes da venda?. ?A questão do porto é complexa. Precisamos fazer uma comissão conjunta para formular um modelo?, disse o governador, após o encontro. Serra alega que a administração do porto seria profissionalizada, o que permitiria, por exemplo, lidar com o assoreamento do canal, que diminui a capacidade do local - atualmente, diz ele, não há condições de retirar os 400 mil metros cúbicos de resíduos que ficam depositados mensalmente no porto. A União, Santos, Guarujá e Cubatão teriam participação na administração.Além disso, Serra também pediu a estadualização da Companhia de Abastecimento do Estado (Ceagesp), e a cessão de parte da área do Campo de Marte (aeroporto controlado pela Aeronáutica) ao município de São Paulo.Segundo o tucano, o presidente pediu a cooperação do governo do Estado em três áreas: a urbanização de favelas, a área educacional e a área da juventude."Diria que a acolhida foi boa. O presidente disse que, em 15 dias, voltaria a conversar sobre esses assuntos", relatou Serra. Ele fez questão de destacar que nenhum dos pedidos em favor de São Paulo implica gastos do Tesouro Nacional. "É só uma questão de gestão."Serra evitou responder a perguntas de jornalistas sobre política econômica e reforma tributária. O governador relatou, ao sair do Palácio do Planalto, que a conversa com o presidente e o ministro foi "elegante" e "amistosa". A uma pergunta sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da economia, Serra respondeu: "Está implícito que a gente não joga no quanto pior melhor. Estamos falando pelo País."Sobre reforma tributária, Serra disse que prefere aguardar uma proposta por escrito: "Em toda proposta, tem de se saber quanto custa, quanto se perde, quais são os mecanismos de compensação, como se faz a transição. Tenho enorme cancha nesta matéria (questão tributária) para saber que nada é simples."(Com Eugênia Lopes)Este texto foi alterado às 15h47.

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