Serra paga o preço por não assumir disputa, diz tucano

Para o presidente do PSDB de SP, Mendes Thame, 'quem governa não tem tempo de fazer campanha'

Carolina Freitas, da Agência Estado e André Mascarenhas, do estadao.com.br, Agência Estado

08 de março de 2010 | 17h25

O presidente estadual do PSDB em São Paulo, deputado Mendes Thame, disse nesta segunda-feira, 8, que o possível candidato tucano à Presidência da República, o governador José Serra (PSDB-SP), paga o preço por ainda não ter confirmado o seu nome para a disputa. "Foi uma opção do governador governar o Estado em tempo integral. Isso tem um ônus, paga-se por ele", afirmou Thame. "Quem governa não tem tempo de fazer campanha. Quem não faz campanha não ganha voto", acrescentou.

 

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A avaliação de Thame precedeu aquela que seria a primeira reunião de mobilização para a campanha presidencial deste ano, no diretório estadual do PSDB, na capital paulista. O encontro reuniria lideranças das 48 regionais do partido no Estado, mas acabou sendo esvaziado e dividido em três reuniões. A primeira delas acontece nesta segunda-feira com representantes de sete regionais da região metropolitana de São Paulo, de Santos e de Campinas.

 

Eram esperados, inicialmente, 90 convidados. Com a mudança, compareceram não mais que 50. Segundo Thame, a fragmentação foi necessária para "maximizar os resultados" das conversas. De acordo com ele, "foi dada uma dimensão quase sobrenatural à reunião". "Deu-se a entender que era uma reunião para tratar estratégias de campanha, mas o partido não coordena campanha. Nós cuidamos da infantaria, de mobilizar os filiados."

 

Questionado sobre quem teria dado essa conotação ao encontro, Thame desconversou. "Por conta do momento político, alguns companheiros imaginaram." A alteração da estrutura da reunião foi comunicada desde sexta-feira aos convidados por e-mail. Thame reconheceu que os integrantes do encontro falarão sobre política e as candidaturas estadual e federal do partido.

 

Na opinião de Mendes Thame, a recuperação de Serra se dará em três momentos. "O primeiro é na hora que o candidato se desincompatibiliza e anuncia sua candidatura, deixando claro quem é o candidato; em segundo é a escolha do candidato na convenção do partido, o que permite fazer campanha legalmente; e o terceiro, é o início da propaganda eleitoral", explicou.

 

Ansiedade

 

O deputado federal José Aníbal (SP), que também participou do encontro, deu pistas de que um dos objetivos da reunião era, de fato, discutir campanha. "Você acha que é possível fazer uma reunião de coordenadores políticos e não falar de campanha? Alguém vai falar. Sobretudo sobre ideias", disse.

 

Para Thame, a resistência de José Serra em assumir a sua eventual candidatura à presidência vem causando ansiedade entre os tucanos. "Há uma grande ansiedades em todos nós, do PSDB, para começar a pré-campanha", reconheceu o deputado. Questionado se o partido já manifestou esse sentimento a Serra, o deputado evitou polêmica. "Serra acompanha a ansiedade do partido pelos jornais. Não temos de fazer essa pressão", disse o presidente estadual do PSDB. "Compartilho da decisão de Serra, de governar mesmo com custo político".

 

"Nosso governador tem razão. Não se pode ao mesmo tempo fazer campanha e ação do governo", endossou Aníbal. "Nenhuma dificuldade adicional se coloca pelo fato de o nosso candidato só assumir a candidatura a partir da data de desincompatibilização", disse.

 

Ainda segundo ele, o crescimento da candidata não é nada que não se possa resolver a partir de abril. "Eu conheço a nossa adversária [os dois militaram juntos no movimento estudantil em Belo Horizonte durante a ditadura militar]. Ela não tem consistência para enfrentar o nosso candidato, não tem história, não tem experiência", afirmou o tucano.

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