Serra nega que seu nome tenha sido associado a cartel

O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) negou nesta segunda-feira que seu nome tenha aparecido em troca de correspondências sobre a formação de um suposto cartel que atuava na licitação de trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do Metrô, conforme noticiado na semana passada. "Meu nome não surgiu. Nós fizemos uma luta anticartel, para pagar R$ 200 milhões a menos", rebateu.

GUILHERME WALTENBERG, Agência Estado

12 de agosto de 2013 | 21h05

Serra avaliou como "boa" a decisão judicial que determinou a liberação dos documentos em posse do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a investigação do suposto cartel. "Se todo mundo tem (os documentos), é bom que seja liberado a todo mundo mesmo", disse, mencionando o fato que muitos dos documentos já foram divulgados para a imprensa, mesmo mantidos sob sigilo.

As declarações foram dadas após o ex-governador proferir palestra sobre "Desenvolvimento brasileiro e seus principais problemas" na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na região central da cidade.

Modelo político

Serra avaliou, durante palestra, que o modelo político atual já se esgotou. Para ele, esse esgotamento ocorreu a partir de 2010, quando "a bonança externa se esgotou". "A China passou a crescer menos, a Europa está com problemas e os Estados Unidos estão em fase de recuperação, mas isso tem uma contrapartida (negativa), que é o dinheiro tornar-se mais caro. Esse é o panorama geral", avaliou. Além disso, ele disse que houve um "esgotamento dos limites de endividamento da população" e a suposta "desindustrialização" do País como razão para o suposto esgotamento do atual modelo.

Serra criticou também o que chamou de ausência de uma política comercial externa no País. "Outro ponto crítico a que chegou (o Brasil) é a falta de medidas e políticas comerciais, que o Brasil não tem. Tratados de livre comércio, deve ter tido uns 400 nos últimos anos. O Brasil fez somente três, um com Israel, o segundo com a Palestina, e o terceiro com o Egito, que ainda nem se assinou", avaliou. Ele criticou a chamada política externa multilateral do País. "Inventaram o tal do multilateralismo, inteiramente na contra corrente do mundo, que está realizando acordos bilaterais", afirmou.

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