Serra muda estilo e corre para mostrar que está 'no páreo'

Candidato tucano negou ter mudado estilo de campanha, conforme a cúpula do partido teria recomendado

José Maria Tomazela, de O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2010 | 19h19

SOROCABA - O candidato à Presidência pelo PSDB José Serra mudou o estilo e decidiu partir para o corpo-a-corpo com os eleitores na tentativa de reverter os números negativos nas pesquisas. Em Sorocaba, nesta segunda-feira, 23, ele foi ao encontro das pessoas, distribuiu abraços, sorrisos, e ouviu pedidos, sempre acompanhado pela mulher Monica Serra. Na praça Coronel Fernando Prestes, região central, ele deu um pique de 40 metros para escapar do cerco de jornalistas e políticos e se aproximar das pessoas que o aguardavam. Contrariando quem acha que está entregando os pontos, ele disse estar preparado para a maratona final da campanha. Perguntado se estava no páreo, disse: "Estou em muita forma, estou ligeiro."

 

Serra negou ter mudado o estilo da campanha, conforme teria recomendado a cúpula tucana, reunida após a divulgação da pesquisa da Datafolha, no sábado, que mostrou a candidata do PT, Dilma Rousseff, com vantagem de 17 pontos percentuais. "Nem sabia que teve a reunião, mas isso não é um problema." Os assessores e o candidato ao governo paulista, Geraldo Alckmin, mal conseguiam acompanhá-lo: numa única quadra, no Bulevar Braguinha, ele entrou em oito lojas. Numa delas, elogiou a beleza da proprietária Silvana Pessini. Do outro lado, os funcionários se aguçavam: "Aqui, Serra!" Numa farmácia, quis saber sobre a venda de remédios genéricos, uma de suas marcas quando ministro da Saúde.

 

No Bulevar Barão do Rio Branco, entrou em lojas populares, tirou fotos, pediu água e em seguida deu outro pique. Aos que se admiravam, contou que dias atrás saltou numa cama elástica, em Manaus. "Maior demonstração de forma física é impossível."

 

Serra não quis comentar a falta de recursos para a campanha. "Não vou entrar no tititi", disse. Em vários momentos, o tucano criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Ao anunciar a construção de um centro para tratamento de dependentes químicos em Sorocaba, caso eleito, disse que o governo federal não age adequadamente no combate ao tráfico de drogas nas fronteiras. Perguntado se haveria necessidade de frear a economia para evitar a inflação, disse que não acredita que seja preciso um freio. "Eu não faria isso, mas é possível que o PT faça, pois sempre dizem uma coisa e fazem outra." Depois, ao falar de pedágios, atacou o governo federal: "Os pedágios federais são inclusive uma fraude, pois não fizeram investimentos e temos rodovias da morte em todo o Brasil. Em São Paulo isso não acontece."

 

Na zona oeste, em visita a um núcleo habitacional para pessoas retiradas de áreas de risco, disse que um dos principais problemas do Brasil é casa para quem ganha até três salários mínimos. Ele considerou um modelo o núcleo, de 272 apartamentos, construído pelo governo estadual. "É uma experiência que vamos levar para o Brasil inteiro. Casas boas, com segurança, com bom acabamento. Dá para estender isso aqui para o Brasil inteiro." Ele visitou o apartamento de Kátia Cristina Roque, que tinha deixado uma área de risco e elogiou a nova moradia. Mas também ouviu a queixa da moradora Ana Paula Alexandrino, cujo marido estava preso e não tinha os R$ 76,50 da prestação mensal. Ao ouvir uma menção sobre o programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, disse que o Governo do Estado apoia o programa com "muita terra e muito dinheiro". Atribuiu também ao governo tucano a ida das fábricas da Fiat-New Holland e da Toyota para Sorocaba.

 

Serra disse que o déficit habitacional no País é de milhões e prometeu concentrar a construção para quem ganha até três salários mínimos. Ao ser indagando qual era a meta, disse que não ia estimar quanto dá para construir. E alfinetou o governo Lula: "Você veja que anunciaram um milhão de casas até este ano, não fizeram nem um quinto disto." Ele votou a dizer que vai manter programas como o Bolsa-Família e negou-se a comentar a afirmação do presidente Lula de que todo mundo sabe que ele tem um lado, numa referência ao uso de seu nome na propaganda política do PSDB. Sobre a cobrança para que seus aliados apareçam mais na campanha, disse que é bobagem. "Não há tal coisa." Também não viu novidade na presença da esposa na campanha de rua. "A Monica quis vir comigo hoje e veio. Durmo com minha mulher toda noite, o que tem de estranho ela andar comigo?"

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