Clayton de Souza/AE - 08.02.2010
Clayton de Souza/AE - 08.02.2010

Serra mantém silêncio diante de briga entre FHC e Dilma

No mesmo evento, FHC disse que Dilma não é uma líder, 'é reflexo de um líder'

Carolina Freitas, Agencia Estado

08 de fevereiro de 2010 | 20h04

Em meio ao embate entre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e a pré-candidata do PT à Presidência, ministra Dilma Rousseff, o possível presidenciável tucano, governador de São Paulo José Serra, calou-se.

 

Veja também:

link'Dilma Rousseff não é líder, é reflexo de um líder', diz FHC

linkDilma parabeniza reeleição de Temer no PMDB

linkPadilha: Lula considera positiva reeleição de Temer

linkDeclarações de FHC não foram tema de reunião, afirma Padilha

linkGenro aprova comparação de FHC entre administrações

linkDilma comanda reação petista a FHC e diz que insistirá em comparações

linkEm artigo, FHC faz criticas a Lula e ao PT

 

Questionado nesta segunda-feira, 8, sobre o artigo de FHC publicado no jornal O Estado de S. Paulo - e as reações acaloradas que o texto provocou entre petistas -, Serra manteve o silêncio, sua estratégia desde que passou a ser cotado como candidato tucano à Presidência da República. Virou as costas para os repórteres e encerrou a entrevista coletiva. "Eu não vou falar sobre isso", acrescentou pouco depois, diante da insistência dos jornalistas, enquanto visitava a recém-inaugurada Biblioteca de São Paulo, no Carandiru, zona norte da capital paulista.  

 

Restou ao próprio Fernando Henrique seguir no papel de porta-voz do discurso tucano. O ex-presidente, que não participava de eventos do governo do Estado há cinco meses, foi à inauguração da biblioteca estadual e deu o recado.

 

"Precisamos de gente competente, que não roube e que inspire confiança. Ela (Dilma) não é líder. É reflexo de um líder. Serra, está provado, tem competência, é um líder e inspira confiança. A outra, para mim, ainda não", disse antes da cerimônia. "Se (o PT) quiser comparar, a gente compara, desde que seja no contexto. Não há o que temer." O ex-presidente apoiou até o silêncio de Serra. "O PSDB é que tem de se posicionar. O governador tem de esperar um pouco."  

 

A aparição de Fernando Henrique ocorre uma semana depois de uma pesquisa de intenção de voto ter mostrado crescimento de Dilma. De acordo com levantamento da CNT/Sensus, a diferença entre Serra e a petista caiu de 10,1 pontos porcentuais em novembro para 5,4 pontos em janeiro.

 

Os petistas prometem, para atingir Serra, criticar o governo FHC (1995-2002) durante a campanha eleitoral deste ano. Mesmo assim, o ex-presidente havia se mantido calado até agora.  

 

Fernando Henrique negou que sua presença na inauguração de faça parte de uma estratégia política. "Não vou geralmente a inaugurações porque não tenho tempo. Eu vim porque o João Sayad, secretário estadual da Cultura, me mandou um convite amável."  

 

Balanço  

 

Serra aproveitou a inauguração da Biblioteca de São Paulo, no Parque da Juventude, onde ficava a Casa de Detenção do Carandiru, para fazer um balanço das ações de sua gestão na área cultural.  

 

Em discurso de 22 minutos, Serra falou à plateia de cerca de 400 pessoas sobre museus, espaços de dança, centros culturais e iniciativas como a Virada Cultural, que tomou quando prefeito de São Paulo. "E olha que nem estou mencionando as coisas que fizemos no interior do Estado", gabou-se, após falar 17 minutos sobre os feitos de sua administração.  

 

O governador destacou ainda sua relação com os livros, desde a sexta série do ensino fundamental até o doutorado nos Estados Unidos. "Para mim, biblioteca foi algo decisivo, que acompanhou toda a minha formação intelectual e de conhecimento."  

 

Sobre a biblioteca recém-inaugurada, o tucano falou por 4 minutos. A construção do espaço custou R$ 12,5 milhões, sendo R$ 2,5 milhões do governo federal. Diante do secretário da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Américo José Córdula, Serra citou o investimento da União, mas deu destaque aos méritos do Estado. "Vamos manter a biblioteca. São R$ 5 milhões por ano, ou seja, em dois anos é quase o preço da biblioteca, que vai ficar por conta da Secretaria da Cultura."

Tudo o que sabemos sobre:
eleiçãoJosé SerraFHCartigo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.